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O CORRESPONDENTE

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12
Jul17

Síntese sobre solidão na velhice

Talis Andrade

 por Karina Cerqueira de Andrade Lima

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                                          Charles Spencelayh

 

Solidão e Modernidade

 

Qual o tipo de solidão é mais comum nos tempos atuais?

 

Segundo Avila (2012), aproximadamente vinte milhões de brasileiros, cerca de 9%, são formados por pessoas que moram sozinhas. Na Suécia cerca de 40%, na Dinamarca 36%, na Inglaterra 35%, na Alemanha e França 30%, nos Estados Unidos cerca de 26% da população.

  

O fato de estar sozinha não significa exatamente sentir-se só. A pessoa solitária é aquela que estar só, que gosta de viver sozinha.

 

Frazão (2006) afirma que existem dois tipos de solidão: a interpessoal e a intrapessoal. A solidão interpessoal tem a ver com a ausência de relacionamento entre pessoas, enquanto a solidão intrapessoal tem a ver com um afastamento de si mesmo (um estar desacompanhado de si mesmo).

 

O sentimento de solidão baseia-se em uma persistente sensação de separação do outro (Wood, 1986, como referido em Bispo, 2014).

 

 

 

Solidão e Velhice

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 Edward Hooper

 

O sentimento de ser produtivo se esvai juntamente com a reforma. A dificuldade de inserção do idoso num grupo, obriga-o a fechar-se e isolar-se socialmente, evitando os conflitos que possam surgir desta diversidade de interesses e hábitos entre ele e as gerações mais novas (Vieira, 2004, como referido em Fernandes, 2012).

 

O idoso torna-se cada vez mais isolado e esquecido. O sentimento de não pertença ao mundo, de abandono e desvinculação, muitas vezes é a dita sociedade que lhe vira as costas, em uma renúncia feita de derrotismo, quietismo, resignação. Pais (2006).

 

Solidão e Institucionalização

 

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Perpetuum Immobile, por Berman Eugene 

 

 

Espera-se que, além de ser bem cuidado, adquira convívio com outras pessoas na mesma situação.

 

Segundo Moragas (1997), pode existir uma morte social do idoso derivada de um processo de internamento em uma instituição, pela mesma limitar convívios e os laços sociais com o exterior.

 

Melo (2015) afirma que as instituições tentam estar atentas às necessidades sociais dos indivíduos, todavia poderão contribuir para o isolamento social, podendo pôr em risco o bem-estar. Isto se deve ao fato de que algumas instituições não possuem muitos recursos financeiros, faltam profissionais e opções de lazer. 

 

Solidão e Dinheiro

 

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                    Mendigo, por Isabel Haro Simon 

 

Normalmente, o idoso tem um declínio no seu padrão de vida, devido a reforma, dificuldade em empregar-se próximo aos 60 anos, pela perda da renda do cônjuge com a viuvez. E por consequência, deixa de ser reconhecido como responsável pelo sustento da família, o líder.

 

Acarretando perda no contato social, prestígio, insegurança com o futuro, depressão e solidão.

 

Existe, também, uma conjuntura económica que retira vantagens por se ter idade avançada. A reforma negociada, baixas pensões, restrições em arrendar uma casa ou fazer um empréstimo bancário.

 

Solidão e Saúde

 

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                  A Convalescente, por María Blanchard 

 

Saúde não é apenas a ausência de doença ou enfermidade, é também, o estado completo de bem-estar físico, mental e social (OMS, 2005).

 

É comum a solidão desencandear sintomas de depressão

 

Em uma pesquisa fenomenológica e transcultural realizada nos Estados Unidos, Brasil e Chile, verificou-se que a solidão é relatada como algo inerente ao ser, e sem explicações situacionais concretas, vivida pelas pessoas como sintoma, e não como causa da depressão.

 

Para alguns, a solidão é quase sinônimo de depressão, descrita com sentimentos de angústia, abandono, sofrimento (Moreira e Callou, 2006). Em alguns casos, chegando a questões graves como depressão e suicídio.

 

A solidão também afeta o físico, aumenta a pressão do corpo e os riscos de doenças cardiovasculares, diminui a imunidade do nosso organismo e facilita o ataque de bactérias e de vírus como o da gripe (Cacioppo, 2010).

 

Segundo Neto (1992), algumas pessoas podem proteger-se do sofrimento de solidão negando a sua experiência por temor do estigma ou para não ter que confrontar com a realidade.

 

Solidão e Sociedade

 

edward hooper.jpg     por Edward Hooper 

 

 

A solidão na velhice é provocada pelo idatismo. Há uma discriminação social etária manifesta por meio de afirmações, condutas e atitudes preconceituosas contra a pessoa idosa.

 

Caducos

Conservadores

Assexuados

Tem problemas de adaptação

Ranzinzas

Dependentes

Lentos

Surdos

 

Tais características afastam o idoso do mercado de trabalho, do convívio adequado com seus familiares, vizinhos e até de profissionais de saúde.

 

Outro causador da solidão é o fato de pessoas idosas serem mais vulneráveis e sofrerem eventos considerados de violência, maus tratos, abusos, negligências por parte da sociedade, na maioria dos casos, provocados por seus familiares e cuidadores.

 

Conclusão

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          Trabalho com agulha, por Leo Gestel 

 

A velhice, mesmo quando não associada à pobreza ou invalidez, tende a ser vista como uma época dramática e indesejada, seja pela sociedade ou governo. Estudos sobre discriminação chamam atenção para ações voltadas à educação sobre o envelhecimento, a fim de que pessoas idosas, especialmente as menos favorecidas, deixem de receber os efeitos da discriminação etária e possam viver com mais dignidade e respeito a velhice, contribuindo, dessa forma, a uma sociedade adequada a todas as idades.

 

A ressocialização um dos aspectos fundamentais para o envelhecimento ativo, para que o idoso não se sinta marginalizado pela sociedade que, em geral, está voltada para outros interesses (e.g. o culto à beleza e ao dinheiro).

 

O facto de os idosos terem uma qualidade de vida aceitável propícia ao convívio e ao contacto com o exterior. Os sentimentos de pertença e aceitação são fundamentais para uma vida com bem-estar, de realização pessoal e de motivação para viver.

 

Referências Bibliográficas

 

Avila, R., N., P. (2017). Um Estudo da Solidão Humana e sua Explicação nas Ciências Psiquicas e na Teologia – Um Estudo Comparativo. Faculdade Integrado INESUL. Araucaria.

Bispo, R. (2014). Retratos da Solidão: Sofrimentos e Moralidades Femininas na Velhice. Sociedade e Cultura. Vol. 17, núm. 1, enero-junio, pp. 41-50.

Cacioppo, J. T. & Patrick, W. (2010). Solidão. Rio de Janeiro: Record.

Fernandes, A., C., O. (2012). A solidão nos idosos. Escola Superior de Educação João de Deus. Lisboa

Frazão, L. M. (2006). A SOLIDÃO NA CONTEMPORANEIDADE Revista da Abordagem Gestáltica: Phenomenological Studies, XII, 93-95.

Melo, C., (2014). Bem-estar Psicológico e Qualidade de Vida em Pessoas Idosas. Dissertação

Moragas, R. (1997). Gerontologia Social: Envelhecimento e Qualidade de Vida. São Paulo. Paulinas

Moreira, V., & Callou, V. (2006). Fenomenologia da solidão na depressão. Mental, IV, 67-83.http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci:arttext&pid=S1679-44272006000200005&Ing=pt&tlng=pt.

Neto, F. (1992). Solidão Embraço e Amor. Porto. Centro de Psicologia Social.

Pais, J., M. (2006). Nos rastos da solidão: de ambulações sociológicas. Porto. Ambar

 

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Síntese Sobre Solidão na Velhice, apresentado oralmente, com slides. In Curso de Mestrado, disciplina Psicologia Social do Envelhecimento, ministrada pelo professor doutor Félix Neto. Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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