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O CORRESPONDENTE

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09
Out17

Os ouvidos moucos da polícia justiça e o suicídio do reitor Cancellier

Talis Andrade

 

 

 

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  Cancellier, o reitor morto

 

 

O que justificaria uma figura pública, sem antecedentes criminais e com uma biografia reconhecida na comunidade, a ser algemada e levada à cadeia antes de um julgamento? É a pergunta que paira no meio acadêmico e jurídico desde que a Polícia Federal cruzou os portões da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no último dia 14 de setembro, para apurar desvios de recursos públicos destinados a cursos de educação a distância.

 

Agentes prenderam sete pessoas temporariamente, além de cumprirem mandados de busca e conduções coercitivas. Entre os detidos estava o reitor da universidade, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, nome mais conhecido na lista de alvos da Operação Ouvidos Moucos.

 

Cancellier e os demais presos passaram a noite na cadeia e só ganharam a liberdade no dia seguinte, quando a Justiça decidiu que as prisões não eram mais necessárias, escreveu Roelton Maciel.

 

Em um artigo publicado, denunciou o reitor Cacellier: 

 

"A humilhação e o vexame a que fomos submetidos — eu e outros colegas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) — há uma semana não tem precedentes na história da instituição. No mesmo período em que fomos presos, levados ao complexo penitenciário, despidos de nossas vestes e encarcerados, paradoxalmente a universidade que comando desde maio de 2016 foi reconhecida como a sexta melhor instituição federal de ensino superior brasileira; avaliada com vários cursos de excelência em pós-graduação pela Capes e homenageada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Nos últimos dias tivemos nossas vidas devassadas e nossa honra associada a uma 'quadrilha', acusada de desviar R$ 80 milhões. 

 

(...) Uma investigação interna que não nos ouviu; um processo baseado em depoimentos que não permitiram o contraditório e a ampla defesa; informações seletivas repassadas à PF; sonegação de informações fundamentais ao pleno entendimento do que se passava; e a atribuição, a uma gestão que recém completou um ano, de denúncias relativas a período anterior".

 

Impedido de entrar na Universidade, na manhã da segunda-feira de 2 de outubro, Cancellier cometeu suicídio no Beiramar Shopping de Florianópolis. 

 

Deixou o seguinte bilhete suicida (fica a denúncia):

 

bilhete .jpg

 

 

Mais de cem policiais federais - é muita polícia sobrando, sem fazer nada -, armados de modernas metralhadoras, realizaram a prisão sob vara do reitor e seis "suspeitos". Os federais usaram incontáveis e luxuosos carros brindados. Que a gastança corre solta no prende e arrebenta.  Quando a polícia militar do Rio de Janeiro sobe os morros com menos soldados.  

 

A delegada Erika Mialik Marena, da Polícia Federal, foi quem pediu e conseguiu da Justiça a decretação da prisão temporária do reitor.

 

Informa Brasil 247: "Na PF desde 2003, Erika também deu o nome à Lava Jato devido ao uso de uma rede de postos de combustíveis e lava a jato de automóveis, em Brasília, que movimentava recursos ilícitos. O nome Ouvidos Moucos se deveria ao fato de o reitor supostamente não ter feito nada para coibir abusos na UFSC.

 

Érika .jpg

 

Erika Mialik Marena

 

No filme Polícia Federal - A Lei é Para Todos, sobre a operação, ela foi interpretada pela atriz Flávia Alessandra".

 

O dono do posto que apelida a Lava Jato já está solto. Soltinho da Silva. Livre que nem um passarinho. De asas brancas e puras. 

 

Leia "Quem matou Cancellier?"

 

prisão adoidada .jpg

 

reitor .jpg

 

 

 

 

 

 

 

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