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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

27
Set17

Negros amarrados no mourão generais golpistas desejam

Talis Andrade

Vítimas da ditadura cobram punição ao general que defendeu intervenção militar.

 

Ministério Público também se manifestou e diz que novo golpe é crime inafiançável e imprescritível.

 

Manchetes acima são dos movimentos tortura nunca mais. Ditadura nunca mais.

 

Lendo artigo de Carlos José Marques, relembrei quando o general Olympio Mourão Filho veio tomar posse no comando do IV Exército no Recife, numa coletiva no aeroporto, fiz a pergunta do momento político:

 

- General, o senhor é da Linha Dura?

 

Vestido em uma farda de campanha, o corpo pesadão, respondeu repetindo três vezes a mesma palavra:

 

- Durísima

- Duríssima

- Duríssima

 

Contive o riso, que a voz do general era estridente e feminina. 

 

O general Olyimpio veio suceder o general Justino Alves, que depois foi presidente no Triunvirato Militar que substituiu Costa e Silva. 

 

No comando do IV Exército estiveram três sucessivos presidentes: Castelo Branco, Costa e Silva e Justino. Residiram na mesma casa, próxima à Faculdade de Direito, que depois se transformou em porão de tortura. A desonra não permite que seja um prédio histórico. Hoje uma casa abandonada.

 

fac direito recife.jpg

  Da residência oficial dos generais presidentes, os presos da ditadura ouviam o carrilhão

da Faculdade de Direito do Recife  

 

Em 1979, as instalações do quartel-general do IV Exército foram transferidas da Rua do Príncipe para o Complexo Militar do Curado.

 

AS INCONTINÊNCIAS DE UM GENERAL

 

os dois Mourão generais.jpg

 De Mourão a Mourão a mesma história

 

por Carlos José Marques

 

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Sob as botas do general Olympio Mourão Filho, que marchou de Juiz de Fora ao Rio de Janeiro para arregimentar seus pares e desencadear o golpe, teve início o primeiro lampejo da ditadura que castigou o País por mais de duas décadas. Um ultraje às liberdades individuais, lancinante castigo aos perseguidos políticos e à democracia, esse período negro de nossa história deixou chagas irreparáveis na memória nacional. Mourão – o conspirador -, de índole belicosa e temperamento irrefreável, era tido e havido como um comandante fanfarrão às vésperas da aposentadoria, que embora não levado à sério foi o primeiro a mobilizar tropas e setores militares para a derrubada da presidência naquele longínquo ano de 1964. No arco de tempo de lá para cá, a repetir a história como pilhéria, um outro general Mourão, esse burocrata das finanças em Brasília, também nos derradeiros dias antes de trocar a farda pelo pijama e seguir à reserva, decidiu soltar os demônios dias atrás durante uma fala em evento na maçonaria cujo teor deveria servir para, no mínimo, enquadrá-lo no crime de insubordinação, passível de severa punição. Não foi o que aconteceu. O Mourão da vez, general de quatro estrelas, que atende pelo registro de batismo como Antonio Hamilton Martins Mourão e tenta uma candidatura ao comando do Clube Militar, não mediu palavras e nem foi contido ao falar em intervenção pelas armas no caso de a Justiça “não solucionar o problema político”. Alegou contar com o apoio dos “companheiros do Alto Comando do Exército” que, nas suas palavras, compartilham da mesma ideia. Foi (não há dúvida) a maior e mais explícita ameaça à ordem constituída desde o fim dos tempos da tutela armada. Instituições civis e os poderes da República estavam claramente afrontados. O Judiciário submetido a uma chantagem: ou retirava os “elementos envolvidos em todos os ilícitos” ou, nos dizeres do general, “nós teremos que impor isso”. Não existiu margem a interpretações distorcidas sobre as intenções do oficial que, sem qualquer cerimônia, mandou às favas o regulamento disciplinar segundo o qual é vetado a militares da ativa emitir manifestações de cunho político. A tibieza da reação das autoridades surpreendeu até os mais próximos convivas do Planalto. O Ministro da Defesa, Raul Jungmann, limitou-se a um pedido de explicações do chefe do general e deu o caso por encerrado, sem punição ao indisciplinado Mourão. A escalada de inquietação dos brasileiros – que correram às redes sociais para comentar o temor da ameaça – só cresceu. O pior ainda estava por vir. Foi o próprio comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, em programa televisivo, quem reiterou que não se cogitava punir ou repreender o colega de farda pelo ato. Ao contrário, Villas Bôas chegou a elogiar o subordinado: “O Mourão é um grande soldado, uma figura fantástica, um gauchão…”. 

 

MOURÃO O GOLPISTA FASCISTA INTEGRALISTA 

 

PRIMEIRO GOLPE


Segundo  memórias do general Olympio Mourão, em 1937, quando dirigia o serviço secreto da Ação Integralista Brasileira, redigiu um documento de circulação interna que simulava um plano comunista de tomada de poder no Brasil denominado Plano Cohen. Como também era capitão e servia no Estado-Maior do Exército, algumas cópias desses papéis foram parar nas mãos de oficiais do Exército Brasileiro.

 

Enquanto se aguardavam as eleições presidenciais para janeiro de 1938, foi denunciado pelo governo a existência do Plano Cohen como um plano elaborado por comunistas para tomar o poder. A divulgação do documento acabou por criar um clima favorável à instauração da ditadura do Estado Novo, fato ocorrido em 10 de novembro de 1937, na qual foi decretado o fechamento de todos os partidos políticos, inclusive a AIB.

 

integralismo símbolo.png

 Bandeira do partido Integralista - AIB

 

SEGUNDO GOLPE

 

In Wikipédia: Em 11 de maio de 1938, os integralistas invadiram violentamente o Palácio Guanabara, sede do Governo Federal, numa tentativa de um golpe de Estado para a deposição de Getúlio Vargas. Depois deste episódio conhecido como Intentona Integralista, os líderes da extinta Ação Integralista Brasileira, Mourão entre eles, foram presos e processados. Posteriormente foram anistiados por Getúlio Vargas sob a imposição de fidelidade ao líder do Estado Novo. Mourão voltou ao getulismo. 

 

TERCEIRO GOLPE

 

Getúlio Vargas foi deposto pelos militares em 29 de outubro de 1945, comandados pelo getulista general Góes Monteiro. Mourão foi um dos traidores. E o Brasil passou a ser presidido por outro ex-getulista, o general Dutra, seu ex-ministro do Exército.

 

 

QUARTO GOLPE

 

Pelo voto direto, Getúlio voltou ao poder em 1851. O seu mandato presidencial deveria estender-se até 31 de janeiro de 1956.

 

Na madrugada de 5 de agosto de 1954, um atentado a tiros de revólver, em frente ao edifício onde residia Carlos Lacerda, em Copacabana, no Rio de Janeiro, mata o major Rubens Florentino Vaz, da Força Aérea Brasileira (FAB), e fere, no pé, Carlos Lacerda. Estava instalada uma crise política e militar. 

 

Lacerda acusava que havia um mar da lama no Cadete.

 

Por causa do crime da rua Tonelero, Getúlio foi pressionado, pela imprensa e por militares, a renunciar ou, ao menos, licenciar-se da presidência. O Manifesto dos Generais, de 22 de agosto de 1954, pede a renúncia de Getúlio. Foi assinado por 19 generais de exército, entre eles, Castelo Branco, Juarez Távora e Henrique Lott e dizia: "Os abaixo-assinados, oficiais generais do Exército, solidarizando com o pensamento dos camaradas da Aeronáutica e da Marinha, declaram julgar, como melhor caminho para tranquilizar o povo e manter unidas as forças armadas, a renúncia do atual presidente da República, processando sua substituição de acordo com os preceitos constitucionais".

 

Esta crise levou Getúlio Vargas ao suicídio na madrugada de 23 para 24 de agosto de 1954, logo depois de sua última reunião ministerial, na qual fora aconselhado, por ministros, a se licenciar da presidência.

 

QUINTO GOLPE 

 

Em 1964, o general Olympio Mourão deu a senha para a surpresa dos conspiradores: "Minhas tropas estão na rua!". E ordenou que soldados da 4ª Divisão de Infantaria que comandava em Juiz de Fora seguissem para ocupar o estado da Guanabara, atual cidade do Rio de Janeiro. As forças do general foram reforçadas por dois outros regimentos vindos de Belo Horizonte e São João del-Rei. Seguiram sem resistência e terminaram por se confraternizar no meio do caminho com as guarnições do I Exército que haviam partido do Rio de Janeiro com a missão de confrontá-las. Esta operação se chamou "Operação Popeye", em referência ao inseparável cachimbo de Mourão Filho.

 

A mulher de Mourão estava em Brasília. Três anos depois, no gabinete do secretário do Governo Barreto Guimarões no Palácio das Pricesas, Nilo Coelho na véspera de tomar posse no governo de Pernambuco, revelava: "Mourão na guerra, eu com a mulher dele no maior amor".

 

Este o nome correto para a "revolução de 64": Operação Popeye.

 

popeye.jpg

Para derrubar Dilma, ou tirar o PT do governo, o quadrilhão da Câmara dos Deputados chefiado por Michel Temer e Eduardo Cunha deu um golpe, tendo o pato da Fiesp como mascote.

 

Um golpe que rasgou a CLT e cassou todos os direitos dos trabalhadores, e que entrega as riquezas do Brasil ao imperialismo do Tio Sam, ou Tio Patinhas como símbolo da vassalagem.

 

Um golpe que ainda não se consolidou, desde que se teme Lula seja reeleito presidente. A solução apresentada pelo general Antonio Hamilton Mourão continua sendo a velha e tradicional intervenção militar, ou uma Operação Tio Patinhas para repetir a Popeye. 

 

É o Brasil das castas de militares, de togados, de banqueiros, de empresários que são contra referendos, plebiscitos, eleições, e desejam o povo eternamente amarrado no mourão. 

 

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mourao 3.jpg 

Negro-amarrado-a-poste.jpg

Nego, nego mas não me entrego
... Fui chicoteado, acorrentado,
esquecido no mourão 

 

Poema de Antonio Montes 

 

Olha o negro em pedaços
Amarrado no mourão

 

Música de Olodum 

 

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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