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20
Jan18

Francisco critica corrupção e discriminação de populações indígenas e atividades que destroem a Amazônia

Talis Andrade

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Lima, 19 jan 2018 (Ecclesia) – O Papa Francisco alertou hoje na capital do Peru para as atividades que destroem a Amazónia, condenando a corrupção e a discriminação de populações indígenas, num discurso a autoridades políticas e diplomáticas.


“As atividades informais de mineração tornaram-se um perigo que destrói a vida das pessoas; as florestas e os rios são devastados com toda a sua riqueza. Todo este processo de degradação envolve e favorece a organizações fora das estruturas legais, que degradam tantos dos nossos irmãos e irmãs, submetendo-os ao tráfico de seres humanos – nova forma de escravatura –, ao trabalho irregular, à delinquência”, denunciou, no Palácio do Governo de Lima.

 

“A perda de florestas e bosques implica não só o desaparecimento de espécies, que poderiam inclusive significar no futuro recursos extremamente importantes, mas também uma perda de relações vitais que acabam por alterar todo o ecossistema”, precisou.


À imagem do que escreveu na sua encíclica ‘Laudato si’, Francisco propôs uma ecologia integral como “alternativa” a um modelo de progresso “ultrapassado”, que “continua a produzir degradação humana, social e ambiental”.


Isto exige escutar, reconhecer e respeitar as pessoas e os povos locais como válidos interlocutores.

 

Estes mantêm uma ligação direta com o território, conhecem os seus tempos e processos e, por conseguinte, sabem os efeitos catastróficos que, em nome do progresso, estão a provocar muitas iniciativas”, defendeu.


O Papa aludiu à sabedoria ancestral dos povos da Amazónia, “a maior floresta tropical e o sistema fluvial mais extenso do planeta”, e a valores como “a hospitalidade, a estima do outro, o respeito e a gratidão pela mãe-terra e a criatividade”, bem como a responsabilidade comunitária.


Francisco ligou a degradação do meio ambiente à degradação moral, em particular à corrupção, desejando uma cultura da transparência entre entidades públicas, setor privado e sociedade civil”.


“A corrupção é evitável e exige o compromisso de todos”, incluindo as instituições eclesiais, sublinhou.

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