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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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22
Set17

Da obrigatoriedade de tocar gospel e a morte da música e danças brasileiras

Talis Andrade

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Franklin Lima, pastor desde os 15 anos, direitista, conservador e golpista 

 

O deputado federal pastor Franklin Lima (PP-MG) quer, criminosa e traiçoeiramente, obrigar as rádios públicas a executarem, diariamente, música de sua seita religiosa. O Projeto de Lei 8429/2017 propõe ainda multas diárias para a emissora, em caso de não cumprimento, e a suspensão da concessão por até 30 dias, no caso de reincidência.

 

O pastor deputado representa os interesses da bilionária indústria de música religiosa.

 

Panorama Show publicou em 2015: O mercado de produtos e serviços para o segmento religioso está entre os que mais crescem no Brasil. Existem 179 mil organizações religiosas no País. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, esse número apresentou crescimento de 5,28% entre 2013 e 2014. Somente em 2013 foram abertas 12 igrejas por dia, uma a cada duas horas - ou seja, 4.400 ao longo do ano. No universo evangélico é gerado cerca de R$ 15 bilhões de faturamento por ano, em diversas áreas. De acordo com a organização Servindo aos Pastores e Líderes (Sepal), em 2020 os evangélicos poderão ser mais da metade da população brasileira. Com investimento maciço em comunicação, o segmento também é o principal responsável pela sobrevida da indústria fonográfica. A venda de CDs e DVDs de música cristã é da ordem de R$ 500 milhões anuais.

 

A origem do gospel está nos cantos de trabalho dos escravos nos Estados Unidos. Uma música de negros cantada no Brasil por brancos. In Wikipédia: Ainda que o termo, "Música Gospel", possa abranger um campo da Música muito vasto, seus estilos, embora com nomes variados, possuem todos uma mesma essência e raiz — a música cristã negra nos Estados Unidos da América. Talvez um dos velhos estilos da música negra que realmente se aproximou do Gospel foi o Negro Spirituals (em português, as canções harmoniosas dos "Espirituais dos Negros").

 

A música que fluiu da igreja Afro-americana inspirou uma cornucópia de corais modernos, artistas do mercado Rhythm & Blues, e o atual Gospel contemporâneo (Música Cristã Contemporânea), além de outros estilos musicais do gênero.


Alimentado pela gigantesca indústria multi-bilionária de gravação musical nos Estados Unidos, o "pequeno infante" da música Gospel pulou do seu berço humilde e cristão e atravessou as muralhas da igreja para um mercado bem diferente do mundo atual. E, o Gospel continua a crescer. De acordo com a revista Norte-americana, Gospel Today, dentre 2003 e 2008, sete gravadoras criaram divisões especiais somente para lidar com artistas Gospel; as estatísticas da mesma publicação indicaram que os selos independentes cresceram 50%, e o rendimento das vendas só de música Gospel chegou a triplicar nas últimas décadas, de US$180 milhões de dólares em 1980 a US$500 milhões em 1990.

 

No Brasil, os principais cantores e bandas cobram, para realizar um show com duração de 1h30m em um evento religioso, mais de cem mil reias. Fora do templo esse preço, em um comício político ou show patrocinado por prefeitos ladrões, o cachê pode aumentar dez vezes mais, e mais ainda com esquentadas notas frias. Para não escandalizar os fiéis, veja os preços cotados por baixo, por baixo. É de fazer corar fadre de pedra: Quanto mais linda a cantora, mais cara. Fica mais do que escancarado de que não cantam por amor a Deus.  

 

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Por ter sido consagrado pastor evangélico aos 14 anos de idade, Flanklin Lima era chamado por Edir Macedo de Joao XII, o mais jovem papa do catolicismo, eleito quando tinha 18 anos. Flanklin Iniciou seu chamado pastoral na Igreja Universal do Reino de Deus de Edir Macedo. Hoje é pastor da Igreja Mundial do Poder de Deus, presidida pelo apostolo Valdemiro Santiago. Na política, direitista e golpista votou no impeachment de Dilma Rousseff (veja vídeo), faz parte do PP, Partido Progressista, liderado por Paulo Maluf, e o deputado federal Jair Bolsonaro, que esteve no partido desde a criação, e é apoiado pelas classes militar e conservadora, e pela bancada cristã, atualmente presente no PSC juntamente de seus três filhos, também membros do legislativo.

 

Não é de graça, nem pela graça de Deus, que Franklin Lima defende a Isenção de IPTU para Templos. Os evangélicos - a exceção não salva a maioria - possui um rendoso negócio de objetos religiosos.  Que vende de tudo, menos imagens, por considerar idolatria.

 

Os templos das seitas funcionam como tendas de milagres e feiras imobiliárias de terrenos no céu. O que representa um verdadeiro conto de vigário. Entre as mercadorias e ritos: água do Rio Jordão, perfume do suor de Jesus na via-crúcis, beijo em pé de pastora, livros religiosos e música golpel importada dos Estados Unidos, cantada em inglês ou traduzida para o português.

 

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Uma curiosidade desses mercadores do templo. Condenam o latim nos cultos religiosos, mas defendem o inglês como língua sacra, principalmente como texto da Bíblia.

 

Toda a palhaçada de obrigar o toque de músicas religiosas faz parte da campanha antecipada das eleições do próximo ano, com pastores candidatos a deputado estadual, governador, deputado federal e senador. No Rio de Janeiro, o prefeito bispo Marcelo Crivella já lançou a candidatura do bispo Edir Macedo a presidente do Brasil.

 

Mas o interesse principal está na indústria de espetáculos. 

 

No projeto, o parlamentar argumenta que o artigo 221 da Constituição Federal estabelece que a programação das emissoras de rádio e televisão do país devem "visar a promoção da cultura nacional e regional e estimular a produção independente que objetive sua divulgação" (inciso II), além do "respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família" (inciso IV).

 

"Atualmente, as rádios públicas ignoram as músicas religiosas, passando somente as músicas mais populares em suas programações, deixando assim de contemplar aquelas pessoas religiosas, as quais não se sentem bem ouvindo outros tipos de músicas", defende o parlamentar, na proposição do projeto. Ainda segundo ele, as atuais programações radiofônicas deixam "as pessoas religiosas sem motivação ou sem jeito" para acompanhar sua grade.

 

O projeto de lei, no entanto, não estabelece definições claras para o que poderia ser enquadrado como "música religiosa". No texto da PL, música religiosa é aquela interpretada por artista brasileiro para fins religiosos", cabendo ao Poder Executivo fiscalizar o cumprimento da lei, se aprovada. Atualmente o projeto segue em tramitação nas comissões da Câmara dos Deputados.

 

O projeto visa também evitar o pagamento de jabá.

 

O chamado jabá é uma prática adotada “às escuras” por diversas emissoras de rádio do país. Funciona basicamente assim: a emissora pede uma quantidade em dinheiro e em troca veicula a música do artista. Normalmente ela pega parte da verba paga pelo artista e transforma em promoção para o ouvinte, a fim de lançar a música e, consequentemente, encher os bolsos da empresa.

 

Apesar de sua relevância, o assunto é tão delicado que as pessoas não se pronunciam em relação a ele. 

 

Sabe por que libera apenas as músicas religiosas? É que as emissoras evangélicas cobram jabá. Leia uma denúncia aqui 

 

A Constituição Federal estabelece que o Brasil se configura como Estado laico e determina, em seu artigo 19, I, que é vedado à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios "estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público."

 

O gospel constitui uma versão da música brega profana. A lei deve existir, sim, para defender a cultura brasileira, evitar sua planejada degeneração no país que promove festivais de jazz, e o Rock in Rio na ex-Cidade Maravilhosa, e ex-Capital do Samba. 

 

O jabá para promover o frevo (pasmem!) no carnaval custava 300 reais por uma única exibição.

 

Que as rádios públicas sejam obrigadas a tocar a verdadeira música brasileira, notadamente do nosso folklore e a música tocada nas danças: o reisado, o maracatu, pau-da-bandeira, maneiro-pau, caninha verde, bumba meu boi, frevo, fandango, carimbó, samba, capoeira, coco, maxixe, xaxado, caboclinho, pastoril, afoxé, maculelê, baião, ciranda, xote, jongo, catira, lundu e outras que os jovens de hoje desconhecem.

 

Existem programas patrocinados por governos estrangeiros para destruir a cultura brasileira, inclusive existe denúncia que envolve o presidente Fernando Henrique, isso em março de 1964, como agente da CIA. Desde o Império Romano, o arrasamento da cultura nativa e a introdução de uma nova cultura antecediam a invasão das legiões dos césares. Vide como exemplo a destruição das grandes bibliotecas da história da humanidade.    

 

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