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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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08
Dez17

A guerra da comunicação: BBC descobre exércitos de perfis falsos assinantes de cartas anônimas

Talis Andrade

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Os mais famosos escritores e jornalistas usaram nomes falsos. Na Literatura Brasileira, Machado de Assis. Na Literatura Portuguesa, Fernando Pessoa.

 

A sobrevivência de quem faz política e jornalismo de opinião, principalmente em uma autocracia, depende do nome falso.

 

Na ditadura militar de 64, nos partidos clandestinos era comum o uso de um nome em código, para esconder a verdadeira identidade. Nos romances de Urariano Mota, o Brasil dos jovens idealistas que tentaram uma revolução. Os guerrilheiros dos sonhos possuíam codinomes: Urariano, Dilma Rousseff, Soledad em Recife. Os condinomes como defesa e precaução, para preservar amigos, para não ser presos, torturados e assassinados. Centenas de desaparecidos - operários, camponeses, estudantes - ainda permanecem com os nomes desconhecidos e enterrados.

 

Na banda podre, os infiltrados da polícia, Cabo Anselmo, major Curió, coronel Ustra, delegado Fleury, senador Aloysio Nunes. As almas sebosas usavam codinomes para espionar, delatar, torturar e matar. O delegado Tuma, diretor da Polícia Federal, possuía a chave dos cemitérios clandestinos.

 

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No Brasil campeão do assédio judicial, da censura judicial, dos jornalistas ameaçados, espancados, assassinados e com morte anunciada, a necessidade do uso de pseudônimos.

 

O Brasil permite agências de espionagem estrangeira oficialmente instaladas, e todo agente e policiais infiltrados trabalham com nomes falsos. O juiz Sergio Moro chamou - não sei com que autoridade - o FBI para atuar na Lava Jato na defesa dos interesses dos acionistas estadunidenses na Petrobras, empresa de economia mista que já vendeu cerca de 80 por cento de suas ações na bolsa de Nova Iorque.

 

A justiça surreal fez correr um processo policialesco e um julgamento - o caso Marcela Temer - onde vítima, criminoso e testemunhas e advogado do PCC e detetives particulares são assinalados com substitutos nomes trocados.

 

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Na internet, os sítios de relacionamentos incentivam o uso de nomes eroticamente apelativos. Aceita um celular pré-pago como identidade, e recusa o telefone fixo.

 

Era o esperado: “Investigação revela exército de perfis falsos usados para influenciar". Juliana Gragnani (BBC) esquece que a propaganda política é uma guerra de símbolos, de slogans. Que não se faz democracia sem debate. Juliana Gragnani não é uma fonte desinteressada. Nem a BBC. 

 

Diz Juliana: As evidências reunidas por uma investigação da BBC Brasil ao longo de três meses sugerem que uma espécie de exército virtual de fakes foi usado por uma empresa com base no Rio de Janeiro para manipular a opinião pública, principalmente, no pleito de 2014.


A estratégia de manipulação eleitoral e da opinião pública nas redes sociais seria similar à usada por russos nas eleições americanas, e já existiria no Brasil ao menos desde 2012. A reportagem identificou também um caso recente, ativo até novembro de 2017, de suposto uso da estratégia para beneficiar uma deputada federal do Rio.


A reportagem entrevistou quatro pessoas que dizem ser ex-funcionários da empresa, reuniu vasto material com o histórico da atividade online de mais de 100 supostos fakes e identificou 13 políticos que teriam se beneficiado da atividade. Não há evidências de que os políticos soubessem que perfis falsos estavam sendo usados.


Com ajuda de especialistas, a BBC Brasil identificou como os perfis se interligavam e seus padrões típicos de comportamento. Seriam o que pesquisadores começam a identificar agora como ciborgues, uma evolução dos já conhecidos robôs ou bots, uma mistura entre pessoas reais e "máquinas" com rastros de atividade mais difíceis de serem detectados por computador devido ao comportamento mais parecido com o de humanos.

Leia mais. E não esqueça que mais perigoso não é o perfil e sim a censura, o pesamento único, a "verdade" única.

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