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O CORRESPONDENTE

O CORRESPONDENTE

01
Set17

de Nydia Bonetti

Talis Andrade

bonetti.jpg

 

queria sol
e um céu pequeno sobre minha cabeça
trilha possível
um chão sereno sob meus pés descalços
flores à margem nem precisava

eu as recriaria

§

 

quero estar só – me deixem
como aquela amora temporã
no galho

mais alto

§

 

sangram os velhos muros:- boleros
e trincas
(feridas abertas pelo tempo)
nas descalçadas
me vejo
menina
desenhando céus
com risca
de giz
na minha amarelinha sem infernos
que a primeira chuva forte

apagaria

§

 

silêncio e raso passa o rio
não posso ouvi-lo
pressinto
a canção das águas
que se despedem das nascentes
e seguem - ávidas

de lua e mar

§

 

Sorver
das águas claras
numa manhã de sol - nascente
sentir
que a vida ainda pode
ser

 

---

In Sumi-ê, Editora Patuá, 2013

 

30
Ago17

de Prisca Agustoni

Talis Andrade

prisca.jpg

Meus dedos deslizam ágeis
produzem vibrações
sobre teu desejo

 

há curvas, linhas retas
regiões perigosas no corpo
que não posso alcançar,

 

há palavras e zonas de sombra
contidas na distância
que preciso acionar.

 

É quase um jogo
meus dedos na tela
enquanto as crianças
pulam amarelinha
no pátio da escola

 

bem agora.

 

21
Ago17

Evocação de Natal

Talis Andrade

por Djalma Maranhão

 

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                                          Foto Adelmaro Cavelcanti Cinha Júnior

 

 


Não te esquecerei, Natal!
Os olhos do sol transpondo as dunas,
Iluminando a cidade
Que dormiu embalada
Pelo sussurro das águas do Potengi.

dunas.jpg

 


(…)


Não te esquecerei, Natal!
No lirismo de teus poetas;
O quase bárbaro Itajubá
E o quase gênio Otoniel
E também o alucinado Milton Siqueira.
Jorge Fernandes esbanjando poesia
Na mesa de um bar
Era a imagem viva de um Verlaine.

milton siqueira .jpg

 


(…)


Não te esquecerei, Natal!
A vocação libertária do teu povo,
A pregação caudilhesca de Zé da Penha,
Alguns políticos enganando o povo,
Que um dia ganhará conscientização.


(…)


Anoto para o futuro as lutas de hoje
Dos jovens sacerdotes
Plasmados por Dom Eugênio e Dom Nivaldo,
Para os duros embates sociais
Na fidelidade às Encíclicas de João XXIII,
Herdeiros do sacrifício de Frei Miguelinho.


(…)


Não te esquecerei, Natal!
A velha Simôa,
Mais imoral que uma antologia de Bocage,
Chico Santeiro, O Aleijadinho potiguar,
Esculpindo os seus bonecos de madeira,
Com uma ponta de canivete.

Patrono..JPG

 


(…)


Não te esquecerei, Natal!
Encontro os teus pescadores no Ano do Centenário,
Com a mesma audácia dos irmãos Polinésios,
Numa jangada de velas esfarrapadas,
Levando a mensagem do Potengi a Baia Guanabara.


(…)


Água de coco com aguardente,
Era e continua sendo o melhor uísque nacional.
E o menestrel escravo Fabião das Queimadas,
Que libertou a si e a própria mãe,
Ganhando dinheiro, cantando e tocando rabeca.

fabiao.jpg

 Fabião das Queimadas


(…)


Não te esquecerei, Natal!
A revolução liberal de 1930,
Meu batismo nas lutas sociais.
Fanfarras agitando, agitando,
Muitos discursos, poucos tiros.


(…)


A voz do fogo do seus tribunos,
Ontem, contra o colonialismo,
Hoje frente ao imperialismo.


Não te esquecerei, Natal!

 

---

Poema escrito no Uruguai.

Transcrevi trechos 

 

20
Ago17

de Cruz e Sousa

Talis Andrade

leonor-finir-alma-de-vermelho.jpg

CÁRCERE DAS ALMAS


Ah! Toda a Alma num cárcere anda presa,
soluçando nas trevas, entre as grades
do calabouço olhando imensidades,
mares, estrelas, tardes, natureza.
Tudo se veste de uma igual grandeza
quando a alma entre grilhões as liberdades
sonha e sonhando, as imortalidades
rasga no etéreo Espaço da Pureza.
Ó almas presas, mudas e fechadas
nas prisões colossais e abandonadas,
da Dor no calabouço, atroz, funéreo!
Nesses silêncios solitários, graves,
que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!

 

Ilustração Alma de vermelho, por Leonor Finir 

18
Ago17

Alfonsina Storni

Talis Andrade

alfonsina .jpg

A carícia perdida


Sai-me dos dedos a carícia sem causa,
Sai-me dos dedos... No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá?
Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará... andará...
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena
Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.
Se não vês essa mão, nem essa boca que beija,
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?

 

---

 

Tradução de Carlos Seabra

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