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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

10
Dez17

Os assassinos da menina Beatriz estão no vídeo do Colégio Maria Auxiliadora de Petrolina?

Talis Andrade

 

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Na noite de 10 de dezembro de 2015, Beatriz Angélica Mota Ferreira da Silva, 7 anos, foi assassinada com 42 facadas dentro do Colégio Maria Auxiliadora, um dos mais tradicionais colégios particulares de Petrolina, Pernambuco, durante a solenidade de formatura das turmas do terceiro ano da escola. A irmã de Beatriz era uma das formandas.

 

A última imagem que a polícia tem de Beatriz foi registrada às 21h59, quando ela se afasta da mãe e vai até o bebedouro do colégio, localizado na parte inferior da quadra. Minutos depois, o corpo da criança foi encontrado atrás de um armário, dentro de uma sala de material esportivo que estava desativada após um incêndio provocado por ex-alunos do colégio.

 

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A polícia divulgou ainda que o local onde o corpo foi achado estava absolutamente escuro à noite, que é de difícil acesso e ainda estava interditado, porque no dia 16 de outubro ex-alunos do colégio atearam fogo na área. Após o incêndio, a sala foi desativada, ficando cheia de fuligem e de objetos queimados. Ex-alunos filhos de famílias ricas de Pernambuco e da Bahia, principalmente das cidades de Petrolina e Juazeiro.  

 

Quem é capaz de incendiar um colégio tem capacidade para outros crimes, não precisamente de matar uma criança, mas indica algo de podre no Maria Auxiliadora.

 

O que motivou o incêndio? Simplória molecagem de playboys?   

 

O local exato onde ocorreu o crime nunca foi revelado pela polícia. Uma leitora do G1 (jornal O Globo), Mayara Alencar comenta: "O mistério de onde ela foi morta todo mundo sabe. Foi na sala do balé onde a escola mandou reformar e trocar o piso".   

 

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 O censurado local do crime. Uma festa de formatura no Colégio Maria Auxiliadora 

 

 

Às 21h09, Beatriz conversa com a mãe Lúcia Mota. É o momento em que ela insiste para beber água no bebedouro que fica próximo ao local onde estão sentadas. Ela levanta e sai. É a última vez que a menina aparece nas imagens oficiais da festa. Às 21h25 os familiares ficam inquietos procurando Beatriz, a mãe, Lúcia é vista passando próximo ao palco. Menos de 15 minutos depois de Beatriz sair de junto da mãe, ela começou a ser procurada.

 

Que fique bem marcado o tempo. Da menina Beatriz descer a escada, ir ao bebedouro, beber água, ser abordada por um dos criminosos, ser carregada viva para uma sala, levar 42 facadas, o cadáver ser transportado para um depósito. Tudo ocorreu sem a preocupação do flagrante e, pelo menos, um dos envolvidos saiu do colégio encharcado de sangue, ou tomou banho e trocou de roupa dentro do Maria Auxiliadora. 

 

O crime foi premeditado, e praticado por pessoas que conheciam e tinham acesso a diferentes salas do colégio. Cerca de 200. E possuíam as chaves. De três chaves que dão acesso aos locais usados pelo(s) assassino(s) e cúmplices. O sumiço foi notado pela direção 10 dias antes. 

 

Dois meses após o crime, a polícia divulgou um retrato falado do suspeito (?) de matar Beatriz. O perfil foi construído com base em depoimentos de três testemunhas, sendo uma delas a própria mãe. Por premonição? Talvez aí o erro do retrato de uma pessoa raivosa, de um cão danado, porque o único mal vestido, pobre e mulato de má aparência da festa. 

 

Dois anos depois ninguém conseguiu identificar o suspeito, relacionado com funcionários do colégio, que o assassino do perfil conhecia bem o local vandalizado, sabia onde esconder o cadáver (atrás de um armário de um depósito interditado), o que indica algo falso no retrato divulgado pela polícia, talvez um bode expiatório. 

Ninguém possui todo tempo feições tão raivosa.

Ninguém possui para todo sempre feições tão raivosas

 

Nenhum assassino profissional daria 42 facadas, ou usaria uma faca, porque preveria as vestes manchadas de sangue dificultariam uma fuga sem que fosse facilmente identificado e preso.

 

Matar uma pessoa com 42 facadas não é coisa de profissional contratado, e sim de quem tem muito ódio, muita raiva contida, que jamais poderia ser provocada por uma criança de 7 anos, escolhida aleatoriamente, que antes outra criança foi abordada, e a vítima não sofreu nenhum abuso sexual.  

 

O que a menina Beatriz viu? Quem sabe se no andar inferior da quadra acontecia outra festa bem particular e mais animada? 

 

Por que essa convicção de um único executante? 

 

Escondido em um local previamente escolhido e de difícil acesso, o corpo de Beatriz foi encontrado na noite da festa, por volta das 21h50, cerca de 40 minutos após ter desaparecido. Ela tinha ferimentos de faca no tórax, membros superiores e inferiores. A faca usada no crime foi encontrada próximo à criança. Os ferimentos nas mãos e braços significam que a menina reagiu. Beatriz tinha apenas 7 anos, uma frágil menina. Um feito fisicamente impossível se seu agressor tem 1m70, e pesa 70 quilos. 

 

Por que a desconfiança discriminatória listando como assassinos e cúmplices apenas os funcionários mais humildes: serventes, porteiros e seguranças? Estudantes foram investigados, principalmente os formandos que sempre promovem uma segunda festa para depois da solenidade, com bebidas e drogas?  

 

Por que apenas um retrato falado, quando a própria polícia considera a participação de outros criminosos? 

 

Segundo o delegado responsável pelo caso, Marceone Ferreira, e o perito criminal Gilmário Lima, quatro homens e uma mulher foram identificados e podem estar envolvidos na morte de Beatriz.

 

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Que escondem esses funcionários?  

 

De acordo com Sandro Mota, pai da garota, o Ministério Público de Pernambuco tem posse de imagens que denunciariam a identidade de cúmplices no crime. Ele também acusa a escola de atrapalhar o processo de investigação da morte da filha. Segundo Sandro, o colégio teria apagado as imagens das câmeras internas. "Eu quero pedir a prisão dessa pessoa que apagou as imagens e também quero denunciar que a escola escondeu e apagou essas provas", comentou o pai da menina, em um dos protestos. 

 

Quantos vídeos foram apagados? De acordo com Lucia Mota, mãe da criança, o da solenidade foi recuperado pela polícia. "O melhoramento da imagem foi feito agora. Com fé em Deus que alguém vai reconhecer o executor, porque ele tem nome, sobrenome, ele tem amigos, ele tem vizinhos. E nós vamos chegar até ele. Nós vamos chegar até todos, ao mandante, quem colaborou, quem atrapalhou. O estado tem que prender todos".

 

Apagar um vídeo constittui um ato de obstruir de forma proposital a justiça. Quais pessoas importantes o colégio quis proteger?  

 

Por que retrato desenhado se existem imagens de filme? 
 

 

 

 

 

 

 

 

  

10
Dez17

[Baixaria do senador Malta ao justificar a separação da atual esposa Lauriete do primeiro marido]

Talis Andrade

por Joaquim de Carvalho, DCM

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Lauriete e Magno Malta em Jerusalem 

 


O senador Magno Malta se apresenta como defensor da família e, assim, tem conseguido sucessivos mandatos desde 1994. Ex-pastor evangélico, foi deputado estadual, deputado federal e é senador. Mas há um capítulo de sua biografia que pastores evangélicos veem como escandaloso e atentatório aos valores que ele diz defender, os da família. É o casamento dele com a cantora gospel Lauriete, do Espírito Santo.


Ela era casada quando foi para Brasília, eleita deputada federal com o apoio do marido, o pastor evangélico Reginaldo Almeida.


Logo depois de assumir o mandato na Câmara, Lauriete se separou, mas nunca disse o motivo. Para quem conhece os dois, a razão do divórcio, em 2012, seria o relacionamento com Magno Malta.


O então presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, Theodorico Ferraço, chegou a dizer publicamente, após uma reunião: “O homem (Magno Malta) não é fácil, não. Em Brasília, todo mundo já sabe. De mãozinhas dadas e tudo mais”.


Magno já era divorciado e casou com Lauriete em cerimônia para poucos convidados. Logo depois, passou a exibir a tatuagem com o nome Lauriete no braço e, nas poucas vezes em que falou sobre o romance, se disse apaixonado.


Celso Russomanno, que é seu amigo, entrevistou o casal num programa de televisão e disse que viu a transformação de Magno Malta quando ele começou a namorar Lauriete.
“Os olhos deles brilhavam”, afirmou, enquanto Magno e Lauriete se acariciavam, com as mãos entrelaçadas.


Um jornalista que é amigo de Magno Malta, Jackson Rangel, publicou uma nota na Folha de Vitória que dá idéia de como esse caso desceu aos padrões mais baixos do que pode se entender por comportamento civilizado: Antes mesmo de assumir o namoro com Lauriete, Magno teria dito a respeito do marido dela, ex-deputado estadual e vereador, para justificar a separação e diminuir a pressão dos evangélicos:
“Ele é um canalha, vagabundo e nojento. Foi flagrado na cama com outro homem. E a empregada gravou tudo. Ela nunca desconfiou disso, mas agora está tudo muito claro. Eu estava ajudando ele acertar seus problemas no Tribunal de Contas da União, mas larguei tudo” [Malta ao citar o Tribunal de Contas insinua que o então marido de Laurinete era corrupto. Uma acusação que sobra para Malta. Como explicar a ajuda a um político desonesto?...].


Magno desmentiu a frase no dia seguinte, mas antes o jornalista seu amigo já tinha retirado a nota do ar. A declaração, no entanto, ficou na rede tempo suficiente para que fosse compartilhada, e a versão ainda hoje seja repetida em sites evangélicos.


O que aconteceu com Magno Malta e Lauriete pode acontecer com qualquer pessoa —o casamento anterior se desgastar, terminar e surgir um novo amor. Não é desejável, mas acontece.


O que chama a atenção nesse episódio é que, até alguns meses antes do namoro com Magno Malta, Lauriete parecia ter um casamento perfeito. Já durava 20 anos, ela e o marido Reginaldo tinham uma filha e eram bem sucedidos.


Lauriete fazia declarações públicas de amor ao marido, como em um vídeo gravado por ocasião do lançamento de um disco da cantora:
”Um beijo grande para o meu esposo Reginaldo, que incansavelmente tem estado do meu lado. Em tudo. Em todos os momentos. E eu louvo a Deus por sua vida, Reginaldo. Deus te abençoe. Eu te amo muito”.

 

[MALTRATOU A ENTEADA,

UMA CRIANÇA]


Magno Malta, presidente de um CPI no congresso que apura maus-tratos a crianças e adolescentes, é um político que costuma alardear rígidos padrões morais [Que explicação Laurinete deu para a filha, o pai acusado de ser homossexual por Malta?]
E para chamar a atenção para suas bandeiras conservadoras, ele já protagonizou cenas de impacto. Em 2000, levou para depor no Congresso Nacional um homem mascarado.
O depoimento não era em si uma grande bomba — ele acusava um delegado de plantar provas para acusá-lo de tráfico de um quilo de cocaína—, mas a foto de Magno Malta ao lado do mascarado apareceu na primeira página de todos os grandes jornais e ajudou a avançar sua carreira político e se eleger senador.


No processo de cassação de Dilma Rousseff, Magno Malta foi irônico e cantou:
“Eu quero mostrar que eu sou cristão, vou mostrar que sou cristão e à presidente Dilma vou dedicar uma canção de uma grande compositora brasileira, intérprete da música sertaneja, chamada Roberta Miranda: “Vá com Deus, vá com Deus”.


Deus não sai da boca de Magno Malta.
Em nome dele, aprovou a convocação coercitiva do curador da exposição Queermuseu e do ator de uma performance no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM).
Para evangélicos como ele, o casamento com Lauriete não é propriamente digno de quem parece dizer a todos que está na Terra com a missão de ensinar os outros a viverem. 

 

[Lauriete e o primeiro marido eram proprietários da gravadora Praise Records, uma parceria de treze anos, sediada em Vitória. Desfeito o casamento, Lauriete fundou a editora Efrata Music.

 

A Praise Records nasceu em 1999, em Vila Velha, após Lauriete ter gravado 13 discos por diversas gravadoras. Ao decidir lançar o seu décimo quarto trabalho de forma independente, a cantora e seu ex-marido fundaram um selo próprio, cujo primeiro trabalho foi o álbum Palavras. A gravadora também lançou artistas como Shirley Kaiser e Amanda Ferrari] Os trechos entre colchetes são da autoria deste correspondente.

 

 

 

10
Dez17

Liége Vaz poesia

Talis Andrade

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SUPERAÇÃO

 

Caminhei por desertos de espinhos longos

Que fizeram sangrar a minha carne dilacerada

Pisando nas pedras pontiagudas do chão de lama

Num tempo que transcorria sem sorrisos felizes

No poço fundo das amarguras de dor cortante.

 

Curvei-me sobre o céu sem o brilho dos astros

Muitas vezes olhando o vazio existencial

Procurando uma saída da escuridão…

 

Observei o mundo com toda a sua grandiosidade

Desenterrei os lodos que impregnavam a minha alma

Engavetados na mente sem a concretude do ânimo

Arrebatada por períodos de longa tristeza…

 

Então joguei-me em direção ao vazio da solidão incauta

Buscando reorganizar uma realidade de escape

Para o leito do esquecimento que me encontrava…

 

Reativei as memórias mais felizes da minha vida

Absorta no encantamento dessas vivências alegres

Então a luz da coroa do meio-dia brilhou no espelho da alma

Restaurando possibilidades para todas as lacunas…

 

Ergui-me pisando firme e sem tropeçar cambaleante

Derramei superação para os antigos males dos rios lágrimas

Corri ao encontro da felicidade…

 

10
Dez17

O CARPINTEIRO

Talis Andrade

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Como reconhecer

o Filho do Homem

se em Jerusalém

era considerado

um curandeiro  

 

Em Nazaré

não realizou

nenhum  feito

que justificasse

a fama de milagreiro  

 

Os conterrâneos

indagaram

- Não é este o carpinteiro

filho de Maria

Não vivem aqui

irmãs e irmãos 
 


08
Dez17

Piada macabra: Lava Jato recupera 650 milhões de reais para a Petrobras pagar 10 bilhões de dólares aos acionistas estadunidenses

Talis Andrade

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 Ninguém sabe, realmente, graças à Lava Jato, quanto o Brasil vai pagar de multa `a Justiça dos Estados Unidos. A censura protege essa operação lesiva aos interesses do Brasil promovida pelo juiz Sergio Moro/ Polícia Federal/ FBI.

 

 

Em 2016, o jornal O Globo calculava uma multa de 10 bilhões de dólares. Leia aqui  

 

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A ação coletiva que investidores estão movendo na Corte de Nova York contra a Petrobras pode levar a uma indenização superior à do escândalo da Enron — maior falência da História econômica dos Estados Unidos e que resultou numa reparação de US$ 7,2 bilhões. Única brasileira entre os peritos que acompanham a ação coletiva (class action), a advogada Érica Gorga afirma que foi a partir de informações reveladas pela Lava-Jato que acionistas que compraram papéis da estatal fora do Brasil, entre 2010 e 2014, uniram-se para tentar reaver as perdas com a depreciação das ações na Bolsa de Nova York.

 

Proposta na Corte de NY em 8 de dezembro de 2014, a class action se baseia na lei que regula o mercado de títulos imobiliários americano.

 

Érica estima que a indenização pode chegar à casa dos US$ 10 bilhões:

 

— É claro que a perda das ações não se deveu apenas à corrupção ou à má gestão, porque o preço do petróleo também caiu no período. Por isso, eles estão tentando mensurar o período em que teve início o envolvimento de diretores da Petrobras na Lava-Jato. Essa é uma das coisas controversas no processo, mas eu acho que fica a discussão de quantos bilhões vão ser e, sendo conservadora, acho que não serão mais de US$ 10 bilhões.

 

Michel Temer assina perdões e mais perdões de multas. Bilhões e bilhões. Trilhões. Mas Tio Sam não perdoa não. Isso os estadunidenses chamam de nacionalismo. 

 

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08
Dez17

A guerra da comunicação: BBC descobre exércitos de perfis falsos assinantes de cartas anônimas

Talis Andrade

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Os mais famosos escritores e jornalistas usaram nomes falsos. Na Literatura Brasileira, Machado de Assis. Na Literatura Portuguesa, Fernando Pessoa.

 

A sobrevivência de quem faz política e jornalismo de opinião, principalmente em uma autocracia, depende do nome falso.

 

Na ditadura militar de 64, nos partidos clandestinos era comum o uso de um nome em código, para esconder a verdadeira identidade. Nos romances de Urariano Mota, o Brasil dos jovens idealistas que tentaram uma revolução. Os guerrilheiros dos sonhos possuíam codinomes: Urariano, Dilma Rousseff, Soledad em Recife. Os condinomes como defesa e precaução, para preservar amigos, para não ser presos, torturados e assassinados. Centenas de desaparecidos - operários, camponeses, estudantes - ainda permanecem com os nomes desconhecidos e enterrados.

 

Na banda podre, os infiltrados da polícia, Cabo Anselmo, major Curió, coronel Ustra, delegado Fleury, senador Aloysio Nunes. As almas sebosas usavam codinomes para espionar, delatar, torturar e matar. O delegado Tuma, diretor da Polícia Federal, possuía a chave dos cemitérios clandestinos.

 

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No Brasil campeão do assédio judicial, da censura judicial, dos jornalistas ameaçados, espancados, assassinados e com morte anunciada, a necessidade do uso de pseudônimos.

 

O Brasil permite agências de espionagem estrangeira oficialmente instaladas, e todo agente e policiais infiltrados trabalham com nomes falsos. O juiz Sergio Moro chamou - não sei com que autoridade - o FBI para atuar na Lava Jato na defesa dos interesses dos acionistas estadunidenses na Petrobras, empresa de economia mista que já vendeu cerca de 80 por cento de suas ações na bolsa de Nova Iorque.

 

A justiça surreal fez correr um processo policialesco e um julgamento - o caso Marcela Temer - onde vítima, criminoso e testemunhas e advogado do PCC e detetives particulares são assinalados com substitutos nomes trocados.

 

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Na internet, os sítios de relacionamentos incentivam o uso de nomes eroticamente apelativos. Aceita um celular pré-pago como identidade, e recusa o telefone fixo.

 

Era o esperado: “Investigação revela exército de perfis falsos usados para influenciar". Juliana Gragnani (BBC) esquece que a propaganda política é uma guerra de símbolos, de slogans. Que não se faz democracia sem debate. Juliana Gragnani não é uma fonte desinteressada. Nem a BBC. 

 

Diz Juliana: As evidências reunidas por uma investigação da BBC Brasil ao longo de três meses sugerem que uma espécie de exército virtual de fakes foi usado por uma empresa com base no Rio de Janeiro para manipular a opinião pública, principalmente, no pleito de 2014.


A estratégia de manipulação eleitoral e da opinião pública nas redes sociais seria similar à usada por russos nas eleições americanas, e já existiria no Brasil ao menos desde 2012. A reportagem identificou também um caso recente, ativo até novembro de 2017, de suposto uso da estratégia para beneficiar uma deputada federal do Rio.


A reportagem entrevistou quatro pessoas que dizem ser ex-funcionários da empresa, reuniu vasto material com o histórico da atividade online de mais de 100 supostos fakes e identificou 13 políticos que teriam se beneficiado da atividade. Não há evidências de que os políticos soubessem que perfis falsos estavam sendo usados.


Com ajuda de especialistas, a BBC Brasil identificou como os perfis se interligavam e seus padrões típicos de comportamento. Seriam o que pesquisadores começam a identificar agora como ciborgues, uma evolução dos já conhecidos robôs ou bots, uma mistura entre pessoas reais e "máquinas" com rastros de atividade mais difíceis de serem detectados por computador devido ao comportamento mais parecido com o de humanos.

Leia mais. E não esqueça que mais perigoso não é o perfil e sim a censura, o pesamento único, a "verdade" única.

08
Dez17

LUIS NASSIF: CASO UFMG E UFSC: POR QUE TE CALAS, RAQUEL?

Talis Andrade

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AFIN - Os dois principais órgãos de repressão do país, Polícia Federal e Ministério Público Federal, têm novos chefes: o delegado-geral Fernando Segóvia e a Procuradoria Geral da República Raquel Dodge.

Delegados e procuradores recorrem abusivamente a uma prática inconstitucional: a condução coercitiva.

Houve um episódio trágico com o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Luiz Carlos Cancelier. Era o momento de uma afirmação de respeito às leis e de fim desses abusos. Era o momento de se posicionarem sobre o tema e mostrarem a que vieram.

O delegado geral da Polícia Federal Fernando Segóvia cumpriu parcialmente com sua obrigação, mandando instaurar um inquérito contra a delegada Érika, mas tratando como se fosse um episódio isolado. Raquel Dodge se calou.

O inacreditável Robalinho Cavalcanti, presidente da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) classificou as reações à morte do reitor como “exploração de uma tragédia pessoal”. Calando-se, Raquel Dodge fica do tamanho de Robalinho. Ou melhor, menor.

Como prática institucional, a condução coercitiva é uma violência, quando aplicada contra pessoas que sequer foram convidadas a depor. É humilhante, vexatória, por tratar como criminosos meras testemunhas. Só se justifica se, convidado a depor, a pessoa se recusa.

A alegação de que a condução coercitiva é melhor do que a prisão preventiva é hipócrita. Quem se vale desse argumento é mentiroso, na forma mais vil da mentira, que é contar apenas uma parte da verdade, por ignorarem deliberadamente que a condução coercitiva. A condução coercitiva está substituindo o convite para depor, sendo aplicada indiscriminadamente contra pessoas meramente convocadas a prestar esclarecimentos.

A defesa da delegada Erika Marena foi o fato do pedido de condução coercitiva ter sido avalizado por procurador  e pela juíza Janaina Cassol Machado.

Tem-se, ai, quase os ingredientes de uma organização criminosa praticando o crime de homicídio culposo – aquele que, mesmo não tendo intenção de matar, produz a morte como consequências. É o crime da pessoa que, embriagada e em alta velocidade, mata o ciclista.

Nenhuma palavra do lado da PGR; nada do lado do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Púbico); mutismo do lado da CNJ (Conselho Nacional de Justiça)

Agora, repete-se o abuso com a UFMG.

Os argumentos aceitos pela juíza Raquel Vasconcelos Alves de Lima são ofensivos. Segundo ela, dada a gravidade da denúncia, justificava-se a condução coercitiva de pessoas chamadas a dar explicação. Catzo! Isso é argumento da Alemanha nazista, do Brasil sob a ditadura militar.

Os crimes “gravíssimos” foram um suposto desvio de recursos na construção do Memorial da Anistia e bolsas de estudo concedidas a alunos, nada que não pudesse ser investigado administrativamente. E o “risco” foram conversas entre professores sobre uma exposição provisória, para atender ao cronograma prometido pela obra – que está parada há dois anos por falta de recursos prometidos pelo Ministério da Justiça.

No caso do reitor da UFSC, o risco às investigações foram as tentativas do reitor de ter acesso ao inquérito e o fato de uma restrtturação administrativa de caráter geral ter reduzido em um mil reais o salário do corregedor. Apenas isso. E vem esses idiotas do penalismo argumentar que condução coercitiva é melhor do que prisão preventiva.

No episódio da UFMG, há o agravante, para a juíza, do Ministério Público Federal de Belo Horizonte não ter endossado a arbitrariedade da PF.

Em ambos os casos, há um evidente desvio de função e um desperdício de dinheiro público. No caso de Santa Catarina, para uma mera convocação de testemunhas – e já se provou que o reitor nada tinha a ver com o caso – convocaram-se 120 policiais de todo o país, viajando e recebendo diárias às expensas do Tesouro. Agora, foram 85 policiais.

Aguarda-se que Raquel Dodge, Fernando Segóvia e Carmen Lúcia se pronunciem sobre os abusos em geral e definam regras que impeçam sua repetição. Não podem mais se eximir. Tem que se mostrar minimamente à altura dos cargos que ocupam.

E salve a juíza Marjôrie Cristina Freiberger, que do seu cargo de juíza substituta em Florianópolis mandou libertar os presos da Operação Ouvidos Moucos. Ela foi muito maior do que Carmen Lúcia e tantos pavões que não estão à altura dos cargos que ocupam.

08
Dez17

Juíza que autorizou invasão à UFMG soltou neonazista e beneficiou mandante de chacina

Talis Andrade

A juíza Raquel Vasconcelos Alves Lima,  da 9ª Vara Criminal Federal de Belo Horizonte, que autorizou a  ação policial na UFMG é a mesma que, em janeiro de 2013, declarou-se incompetente para julgar o assassinato, nove anos antes, de três fiscais do trabalho e um motorista servidor público, na famosa chacina de Unaí (MG).

 

A decisão  beneficiou os ricos fazendeiros e irmãos Antério e Norberto Mânica, acusados de serem os mandantes do crime e, não por acaso, um foi o candidato a prefeito da cidade pelo PSDB.

 

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Antério Mânica, PSDB, o queridinho da justiça mineira

 

A chacina aconteceu em 2004, quando três fiscais do Trabalho e um motorista, também servidor do Ministério do Trabalho, foram assassinados durante uma fiscalização em Unaí.  A data da chacina se transformou no Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.

 

O então candidato, Antério, foi preso à época e da cadeia conseguiu se eleger, sendo solto em seguida. Os mandantes da famosa chacina de Unaí, até hoje, não foram julgados e permanecem em liberdade, no aguardo da prescrição da pena.  

 

A viúva de um dos fiscais que foram mortos declarou que sente vergonha da Justiça brasileira, após 11 anos esperando o julgamento.

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 Nazista Baudson Peret

 

A mesma juíza também mandou soltar o neonazista que postou foto agredindo morador de rua e foi preso pelo assassinato de um outro morador de rua. Segundo reportagem da época, “os advogados de Antônio Donato Baudson Peret, conhecido como Donato Di Mauro, de 25 anos, devem acompanhar os procedimentos que irão possibilitar a saída do neonazista detido na Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria, em Contagem. A juíza da 9ª Vara Criminal da Justiça Federal de Belo Horizonte, Raquel Vasconcelos Alves de Lima, concedeu o alvará de soltura para o jovem nesta quarta-feira (23). (Carta Campinas com informações do Facebook de João Lopes)

 

07
Dez17

Temer fecha Hospital do Câncer que cuidava de 500 crianças pelo SUS

Talis Andrade

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500 crianças com câncer ficaram sem tratamento no interior de São Paulo na Região de Jundiaí. O único hospital especializado da região ficou sem dinheiro depois que o Ministério da Saúde mudou sem aviso os critérios para liberação dos recursos.

 

Maldade de Michel Temer (PMDB) e Henrique Meirelles, ministro da Fazenda. Logo Temer que, recentemente, fez exames médicos para saber se tinha câncer de próstata. 

 

A maldade não vê o próprio rabo.

 

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O menino Rodrigo, um dos pacientes, que tem um câncer na perna desabafou: “Eu vou perder tudo… é capaz que eu perca até as minhas esperanças”.

 

Opinião do PLANTÃO: O hospital custa R$ 170 milhões por ano. A dívida que Temer perdoou do Santander cobriria os gastos de 2 anos do hospital. A dívida que Temer perdoou do Itaú (R$ 25 bilhões) sustentaria o Hospital do Câncer por mais de 150 anos.

 

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07
Dez17

A helicoca farsa do combate ao tráfico de drogas no Ceará

Talis Andrade

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por Messias Borges - Repórter

 

Três delegados e 13 inspetores da Divisão de Combate ao Tráfico de Drogas (DCTD), da Polícia Civil, foram alvos de mandados de condução coercitiva durante a deflagração da Operação "Vereda", da Polícia Federal (PF), realizada ontem, para apurar uma série de crimes praticados na Delegacia, como extorsão e corrupção. Dois dos policiais investigados chegaram a ser presos em flagrante, mesmo destino de outros quatro suspeitos. Ao total, 25 pessoas foram alvos da Operação. Um homem que também estava sendo investigado foi assassinado a tiros na última sexta-feira (1º), no bairro Ellery, em Fortaleza.

 

Conforme decisão do juiz federal substituto da 12ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Ceará, Danilo Dias Vasconcelos de Almeida, dez agentes de segurança foram afastados das funções da Polícia Civil por 90 dias, com recolhimento de armas, identidade funcional e distintivos; enquanto os outros seis serão removidos compulsoriamente para outras unidades em em funções administrativas.

 

Apesar de a PF não divulgar os nomes dos envolvidos, a DCTD possuía exatamente três delegados. A reportagem apurou que a diretora da Especializada, Patrícia Bezerra, e o delegado adjunto Lucas Aragão foram afastados da Polícia Civil; já a delegada Anna Cláudia Nery será removida para uma função administrativa.

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Patrícia Bezerra

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 Lucas Aragão

 

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Anna Cláudia Nery

Esquema criminoso

 

Segundo o presidente do inquérito que resultou na Operação Vereda, delegado federal Gilmar Santos Lima, os policiais civis investigados entravam em negociação com suspeitos de tráfico de drogas e tiravam vantagem para si. Os agentes de segurança subtraíam ou pediam dinheiro ou mesmo material ilícito, como drogas e anabolizantes, em troca de relaxar o flagrante ao criminoso. Os investigados que não são policiais foram qualificados pela PF como 'colaboradores' ou 'informantes' nas negociações.

 

Os investigados podem vir a responder pelos crimes de peculato, concussão, corrupção passiva, associação criminosa, tráfico de drogas, comercialização ilegal de anabolizantes, falsificação de moeda e posse ilegal de arma de fogo.

 

Durante as diligências, a Polícia Federal prendeu em flagrante seis investigados - dentre eles dois policiais civis - por portarem dinheiro falsificado, drogas e armas de fogo irregulares. Os outros 19 suspeitos foram conduzidos à sede da PF, prestaram depoimento e foram liberados em seguida.

 

A PF mobilizou 150 policiais federais para cumprir 27 mandados de busca e apreensão e os 25 mandados de condução coercitiva, expedidos pela 12ª Vara Federal. As medidas judiciais foram cumpridas na sede da DCTD, no bairro de Fátima, e em residências dos suspeitos, na Capital e nos municípios de Caucaia e Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). As buscas resultaram na apreensão de R$ 340 mil em espécie, cédulas de dinheiro falsas, armas de fogo e aparelhos celulares.

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