Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

31
Mai17

de Thereza Rocque da Motta

Talis Andrade

thereza_christina_motta2.jpg

 

LIRA XXIII

 

Passou, passou o dia,
passou como nuvem,
branca e imensa
que cobre a montanha
e a faz desaparecer.

 

Passou o trinta de maio,
passou o dia de minhas bodas,
caiu a promessa por terra,
caíram os homens feridos,
caíram as cabeças de tantos
que passaram.

 

Fiquei reclusa em meu quarto,
fiquei presa no tempo,
fiquei retida entre os versos
não escritos,
palavras entre meus lábios
que eu não disse.

 

Nada mais foi dito,
nada mais houve.
Passei ao dia seguinte
como o primeiro passo
para dentro da morte,
aquela que seria
o resto de minha vida.

 

Nada mais vi
senão teus olhos claros,
nada mais ouvi
senão tua voz
em tuas liras

 

que serão lidas
para sempre.

 

Fui tua musa,
tua bela Marília,
a Marília de tuas liras
tão amadas.
Que mais serei
senão aquela
que te amou,
que foi a noiva idílica
de teus poemas?

 

Nunca fui outra,
nunca fui
senão eu mesma:
Marília branca,
Marília pura,
Marília noiva,
Marília silenciosa,
Marília única de teus versos.

 

Deste-me um anel que se perdeu.
Deste-me tua palavra que se foi.
Deste-me teu olhar que se lançou
no horizonte.

 

Partiste, e fiquei a te esperar,
mesmo sem nunca mais ver-te.

 

Para mim, jamais partiste.
Para mim, tu voltaste.
Para mim, nunca me deixaste.

 

---

Ouro Preto, 30/05/2013 – 20h50m, dia marcado para o casamento de Marília e Tomás Antônio Gonzaga, preso cinco dias antes acusado de fazer parte da Inconfidência Mineira, em 1789.

in "As liras de Marília", de Thereza Rocque da Motta, Ibis Libris, 2013.

 

 

28
Mai17

A lenda da Baleia Azul esconde crimes hediondos

Talis Andrade

Apesar do sensalismo do título, recomendo a leitura do texto de Nathali Macedo sobre suicídio. Começa pelo alerta: "O suicídio já mata mais que homicídios, desastres e HIV em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Isso quer dizer que o seu assassino mais provável é você mesmo.

Entre os jovens, a incidência é maior: na faixa etária de 15 a 29 anos, apenas acidentes de trânsito superam o suicídio".

Pergunta Nathali: "Por que, afinal, é mais provável que as pessoas queiram se matar quando são jovens?

Porque os velhos já se conformaram.

Quanto mais jovem se é, mais coisas são uma questão de vida ou morte. Quando se é jovem, absolutamente tudo parece irreversível.

Na adolescência, então, é sempre tudo ou nada, então não é exatamente estranho querer abandonar um mundo que não te entende e, sobretudo, um mundo que você também não entende". Nathali acrescenta:

 

"NÃO É 'VONTADE DE CHAMAR ATENÇÃO', É DEPRESSÃO"

 

A adolescente Thalia Mendes Meireles, 15 anos, que se enforcou em um pequena cidade do interior do Brasil, Monção, escreveu na carta suicida: "Você pode ver uma pessoa sorrindo, parecendo feliz, mas não se engane, sempre há coisas além. Por isso somos cegos. Nunca vemos além.

Aquela menina sentada de cabeça baixa tá precisando de ajuda. Mas o que as pessoas fazem? 'Fulana está na bad'.

Que sociedade maldita. Como se tristeza fosse algo irrelevante, que não precisa de atenção. Idiotas. Quando é tarde eles se perguntam o que tinha de errado.

Pais que não vêem seus filhos se cortando, se drogando, se destruindo.

Escolas que não vêem o bullying debaixo do seu nariz.

Pais que estupram os filhos, mães que humilham, irmãos que rejeitam.

Malditos. Malditos.

(...) Então eu quero pedir que sejam mais tolerantes. Depressão não é frescura. Não neguem ajuda a aqueles que estão angustiados no fundo do poço".

 

NETFLIX E “13 REASONS WHY”

 

Mais duas perguntas de Nathali: "Não é sintomático, no mínimo, que a juventude do século XXI esteja trancada em casa maratonando séries no sábado à noite porque já não tem paciência (ou habilidade, nunca saberemos) para relações interpessoais?

Não é sintomático, sobretudo, que a série mais assistida da história da Netflix seja justamente uma série sobre suicídio?

Os nossos jovens estão se suicidando, e cada vez mais, porque a gente não presta atenção neles. A gente também não presta atenção na gente".

blogue thalia memória.jpg

 

Thalia Mendes Meireles, na carta suicida, responde: "Ontem vi pessoas dizendo que a série 13 Reasons Why influência jovens a se suicidarem. Mas eu não acho isso.

Eu estava planejando tirar minha vida a meses e essa serie só fez eu parar e pensar: 'Estou prestes a fazer algo muito idiota'. Sim, eu tinha desistido de tirar minha vida por causa de uma série, mas depois algo mudou. Eu voltei com a decisão . Então eu digo: Eu não me matei porque uma serie me influenciou, não pensem isso".

 

A BALEIA AZUL E "A EPIDEMIA SILENCIOSA DO SUICIDIO"

 

Não concordo com Nathali quando considera: "Sintomaticamente, o jogo da Baleia Azul é viral. São 50 desafios que envolvem automutilação e atividades arriscadas em geral. O último desafio é tirar a própria vida: só assim, eles dizem, você ganha o jogo.

'Ganhar o jogo', para muitos de nossos adolescentes, é se livrar da obrigação de continuar vivendo".

A lenda universal da Baleia Azul, propagada pela imprensa sensacionalista, esconde os descasos dos governos com o abandono das crianças e adolescentes nos acampamentos de refugiados, nas favelas, nos despejos coletivos, no tráfico de pessoas, na prostituição infantil, na falta de escolas. Para dois exemplos: O Brasil possui 250 mil crianças prostitutas, conforme a Polícia Federal e a ONU. Para as ONGs são 500 mil. Nos Estados Unidos, 400 mil crianças estão em lares de acolhimento.

O suicídio é um tabu. Revela segredos de família. Principalmente incestos. Thalia Mendes Meireles foi estuprada durante dois anos pelo "próprio pai", o empresário José Meireles da Silva, que ela chamava de "monstro". Seu Meireles, para se defender, acusou: "Thalia jogava um tal de um jogo Baleia Azul. É um jogo diabólico, que leva os adolescentes a cometer tal loucura. Claro que não sabia. Uma pessoa da família que me falou".

Automutilação infantil sempre existiu. Notadamente de adolescentes. Nos supostos casos da Baleia Azul sempre apresentam esta mesma foto:

baleia azul.jpg

 A apatia de uma criança ou adolescente depressivo impede de realizar os 50 desafios exigidos. Pela rigidez dos horários, das normas, da obediência a um curador, e a disciplina de internato de colégio, de convento de freira ou de quartel militar.

50 desafios.jpg

baleia desafios 2.jpg

desafios baleia 3.jpg

desafios 4.jpg

 

Nunca foi preso um curador. A indução ao suicídio é classificado como um crime contra a vida, que consiste no açular, provocar, incitar ou estimular alguém a suicidar ou prestar-lhe auxílio para que o faça.

 

 

 

 

 

25
Mai17

O brasileiro analfabeto político

Talis Andrade

O Brasil possui, oficialmente, 35 partidos políticos, e uma dezena espera registro no Tribunal Superior Eleitoral.

Todos recebem verbas dos cofres públicos, através de um fundo partidário sem prestação de contas e secretos gastos. 

Em 2005, o governo destinava R$ 289,5 milhões para o fundo, mas o valor foi elevado para R$ 867,5 milhões. 

fundo-partidario-triplica.jpg

 

 

MAIS PARTIDOS, MAIS CORRUPÇÃO, MAIS ANALFABETOS POLÍTICOS

 

odeio política.jpg

 

O ANALFABETO POL_TICO.jpg

 

Não interessa ao Executivo, ao Legislatico, ao Judiciário realizar plebiscito, referendo, e as centrais sindicais, que também dependem do bilionário imposto sindical, jamais promoveram uma greve geral.

Apenas dois eventos arrastam o povo:

O carnaval do Galo da Madrugada no Recife e a procissão católica do Círio de Nazaré em Belém do Pará.

carnaval galo.jpg

Círio.jpg

 

 

 

 

 

 

25
Mai17

Impressionante carta de uma menina suicida

Talis Andrade

"Você pode ver uma pessoa sorrindo, parecendo feliz, mas não se engane, sempre há coisas além. Por isso somos cegos. Nunca vemos além".

 

 

blogue thalia memória.jpg

 

thalia foto maior.jpg

 Thalia Mendes Meireles, 15 anos, vivia e morreu enforcada no dia 13 de abril último, Quinta-Feira Santa, em Monção, pequena cidade do Maranhão, onde imperam o patriarcado, e uma cultura de incesto e estupro de crianças. No Brasil, incesto não é crime. 

Thalia, desde os 13 anos era violentada pelo pai, o empresário José Meireles da Silva.

Invejada pela beleza e inteligente, Thalia sofria bullying na escola. 

Escrevia um diário, um romance, confiscados pelo pai, e páginas nas redes sociais e blogues, que foram deletados.

Thalia Mendes 1.jpg

Thalia foto blusa laranja.jpg

thalia mendes nova foto.jpg

 A CARTA DE THALIA

 

 

Eu sei que a decisão que tomei foi totalmente desqualificada e imoral. Quem diabos é para tirar a própria vida?

Mas eu posso dizer uma coisa: Pra que serve o livre arbítrio?

A vida é minha, a essência é minha. Respeitem.

 

As pessoas passam a vida inteira julgando tudo que vêem. Jogam palavras que não voltam, olhares que machucam, rejeitam, maltratam, usam. Isso dói, tá legal? O ser humano vai guardando isso dentro de si até formar uma grande bola prestes a explodir. Você pode ver uma pessoa sorrindo, parecendo feliz, mas não se engane, sempre há coisas além. Por isso somos cegos. Nunca vemos além.

 

Aquela menina sentada de cabeça baixa tá precisando de ajuda. Mas o que as pessoas fazem? “Fulana está na bad”.

 

Que sociedade maldita. Como se tristeza fosse algo irrelevante, que não precisa de atenção. Idiotas. Quando é tarde eles se perguntam o que tinha de errado.

Pais que não vêem seus filhos se cortando, se drogando, se destruindo. Escolas que não vêem o bullying debaixo do seu nariz. Pais que estupram os filhos, mães que humilham, irmãos que rejeitam. Malditos. Malditos.

 

 

Tudo isso acima faz a mente humana enlouquecer, sabia? Ela definha, fica angustiada e cheia de coisas inexplicáveis, pensamentos perigosos. Você vê no jornal aquele jovem que matou inúmeros estudantes e julga. Já parou pra pensar o que levou ele fazer aquilo? Será que não foi a hipocrisia e idiotice da sociedade? Essa sociedade que nos coloca em um lugar durante anos, em total humilhação, e depois quer escolher um futuro pra nós. Ninguém nunca vê. Até que é tarde.

 

Eu não queria morrer. Eu penso que tenho um futuro pela frente. Eu sei que tenho. Tenho mais amigos para fazer, mais músicas para escutar, mais pessoas para namorar, mais shows para ir. Tanta coisa.

 

Mas sabe o que eu e outras milhões de pessoas pensam sobre isso?

“Eu não tenho força de vontade para continuar. Eu não sou forte, eu não consigo seguir em frente sem derrubar mais uma lagrima”.

Sejam mais gentis, por favor. Amem mais, ajudem mais, vêem mais, peguem na mão de pessoas que estão se afogando. Dê sua mão.

Dê um sorriso.

 

Eu tenho inúmeros motivos para ter feito o que fiz.

Meu próprio pai me abusou e foi por isso que eu morri por dentro. Eu fui morrendo durante dois anos.

Fui vendo minha morte sem poder fazer nada a respeito.

Quantos cortes eu não fiz?

Eu até apelei a drogas, o que não resultou em nada.

Meu pai iniciou a destruição.

 

Minha mãe me tirou minha rotina e passou a assistir tudo em total inconsciência. Eu sei que ela via, mas quem disse que ela percebia?

Ela era uma mãe tão atenciosa, o que aconteceu? Por que ela ficou tão alheia? Por que ela demonstra amar mais a meu irmão? Por que ela não me ama? Por que ela não me abraça e me beija assim como ela faz com meu irmão?

Por que ela me humilha por causa de um erro tão pequeno?

Por que ela não pergunta como foi meu dia na escola? Por que ela não quer saber o motivo de eu estar tanto tempo trancada no quarto? Por que ela não pergunta o motivo de eu usar tanta blusa de manga comprida?

Ela tá deixando eu morrer sem fazer nada. E eu não quero as lágrimas de meus pais. Eu sentiria nojo delas. Eu sentiria nojo porque eu passei a odiar meu pai e odiar minha nova mãe. Porque eu ainda amo aquela mãe que me abraçava e me beijava. É como se ela não me amasse mais porque fui usada pelo meu pai, como se ela sentisse nojo de mim. Sim, ela sabe do abuso, mas jogou pra debaixo do tapete. Assim como aquela maldita escola em que eu passei os piores momentos da minha vida.

 

Eu já tentei suicídio outras vezes. E isso e é horrível, porque eu já sei a sensação. Pensar em suicídio é uma coisa, mas planejar e ir no ponto é outra. Dá aquele aperto no peito, aquela sensação de frio na barriga. “O que acontecerá depois disso?” Eu não acredito em deus, eu creio que depois disso não há nada. Mas enfim, fazer isso é difícil. Eu sou muito covarde.

Eu irei deixar muita coisa no mundo e o mundo irá perder muita coisa. Eu sou diferente.

Eu sou uma daquelas pessoas que os outros precisam .

As vezes acho que sou hipócrita porque eu vejo pessoas depressivas e vou ajudar, dar conselhos, tirar a pessoa daquela situação. Mas eu não faço isso comigo. Porque não dá mais.

 

Droga, eu queria tanto ficar aqui. Por que ninguém me ajudou antes?

 

Ontem vi pessoas dizendo que a série 13 Reasons Why influência jovens a se suicidarem.

Mas eu não acho isso.

Eu estava planejando tirar minha vida a meses e essa serie só fez eu parar e pensar: "Estou prestes a fazer algo muito idiota”.

Sim, eu tinha desistido de tirar minha vida por causa de uma série, mas depois algo mudou. Eu voltei com a decisão .

Então eu digo: Eu não me matei porque uma serie me influenciou, não pensem isso .

 

Eu me matei porque eu não aguentava mais existir assim. Eu já estava morta, o que mais eu serviria nesse mundo? Uma garota totalmente sem essência, sem nada por dentro. Já imaginou um oceano no meio da tempestade? O céu escuro? É assim dentro de mim. Mas tudo silencioso. Tudo muito destruído e silencioso. Tudo muito angustiante e doloroso. É difícil acordar de manhã e pensar: “Mais um dia em que irei ter lembranças más” “Mais um dia ao lado de pessoas que não me amam, que me odeiam” ”Mais um dia sentindo uma imensa vontade de chorar em todos os momentos”. “Mais um dia desejando morrer”

 

Então eu quero pedir que sejam mais tolerantes. Depressão não é frescura. Não neguem ajuda a aqueles que estão angustiados no fundo do poço. E quando forem se lembrar de mim, pensem em uma Thalia verdadeira. Aquela feliz que vocês viam era total mentira.”

Adeus

Thalia Mendes Meireles.

 

25
Mai17

Amanhã é outro dia

Talis Andrade

danzamacabra.jpg

 

Do jornalista
o trabalho cotidiano
da colheita
De tarde a notícia
De noite o trevo


O jornalista vive
como em tempo de peste
Beber divertir-se
na dança macabra
da madrugada
a dança de São Vito
É tudo aqui-e-agora
que no meio da vida
seremos surpreendidos
pela morte


O jornalista vive
o presente finito
Tudo que escreve
tem a louvação
de um dia


O jornalista vive
o instante
a emoção
do amor
de uma noite


O jornalista vive
o pressentimento
Amanhã pode ser dia de desemprego
Amanhã pode ser dia de enterro

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D