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O CORRESPONDENTE

O CORRESPONDENTE

18
Ago17

Mais um crime de Moro. Condena Lula usando provas falsas

Talis Andrade

Tire suas conclusões. Publicam Contexto Livre/ GGN

 

Odebrecht só disse que perdeu chave do sistema de propina após Lula pedir acesso

 

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A defesa de Lula informou nesta quinta (17) que entrou com um pedido junto ao juiz Sergio Moro para obrigar a equipe do procurador Deltan Dallagnol a revelar as mensagens trocadas com o Ministério Público suíço a respeito do sistema My Web Day, usado pela Odebrecht para registrar pagamentos de propina. Na nota, o advogado Cristiano Zanin levanta suspeitas sobre a história de que a turma de Dallagnol não teve acesso ao sistema porque a Odebrecht perdeu a chave.

 

De acordo com o informe, a Odebrecht e o MPF só deram a desculpa de que não têm mais acesso à íntegra do material que foi encontrado na Suíça 5 dias após a defesa de Lula pedir para conhecer as informações que constam no sistema. A estratégia de Zanin é mostrar que no My Web Day não tem nenhuma propina endereçada a Lula, ao contrário do que afirma a força-tarefa da Lava Jato.

 

O pedido foi apresentado no âmbito da ação penal em que Lula é acusado de receber vantagens indevidas da Odebrecht, como a comprar de um imóvel que o Instituto Lula nunca usou, e de um apartamento vizinho ao do petista, em São Bernardo do Campo (SP), que foi adquido por Glauco Costamarques, um contato de José Carlos Bumlai.

 

Além de acesso às comunicações trocadas entre a equipe de Dallagnol e o MP suíço, a defesa de Lula pediu para suspender audiências e reinquirir testemunhas de defesa. Isso porque os procuradores de Curitiba inseriram, de última hora, uma série de documento na ação penal que não foram submetidos ao contraditório.

 

Os pedidos devem ser analisados por Sergio Moro.

 

Abaixo, a nota completa da defesa.

 

Na condição de advogados do ex-Presidente Lula requeremos na data de hoje (17/08) ao Juízo da 13ª. Vara Federal Criminal de Curitiba, nos autos da Ação Penal nº 5063130-17.2016.4.04.7000/PR, que determine ao Ministério Público Federal a apresentação de todas as correspondências trocadas com o Ministério Público da Suíça a respeito desse sistema "My Web Day" — apresentando inclusive a via eletrônica dos documentos para que sejam submetidos à perícia.

 

O MPF afirmou que não teve acesso a "cópia integral" do sistema a despeito de um dos colaboradores do Grupo Odebrecht ter declarado em proposta de delação estar na posse da chave correspondente e somente ter se retratado dessa afirmação 5 dias após a defesa ter requerido o acesso ao "My Web Day".

 

A defesa também pediu na mesma petição a suspensão dos interrogatórios marcados para o mês de setembro a fim de submeter ao contraditório papéis que foram juntados em 03/08 pelo Ministério Público, após a realização de 34 audiências e a oitiva de 97
testemunhas.

 

O MPF promoveu a juntada tardia de papéis ao processo, impedindo que a defesa pudesse indagar às testemunhas sobre esse material. Há necessidade de dar oportunidade para que as testemunhas indicadas pela defesa sejam reinquiridas. A juntada desses papéis também não foi acompanhada de qualquer indicação de origem e devem ser objeto de uma perícia.

 

---

P.S. do Correspondente: Se a Polícia Federal não tem a chave de um cinto de castidade da Idade Média, por que em todas batidas invasivas pega os computadores de empresas e pessoas? Um bom hacker sabe como entrar em qualquer sistema. A polícia rouba até computadores de jornalistas, que é uma ferramenta de trabalho, quando não dispõe de técnicos de informática para espionar. Eta polícia incompetente. Este um jeito e maneira de censurar um jornalista. De impedir que ele escreva. Eta polícia ditatorial e malvada!

 

 

 

18
Ago17

Alfonsina Storni

Talis Andrade

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A carícia perdida


Sai-me dos dedos a carícia sem causa,
Sai-me dos dedos... No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá?
Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará... andará...
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena
Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.
Se não vês essa mão, nem essa boca que beija,
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?

 

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Tradução de Carlos Seabra

18
Ago17

de Carla Carbatti

Talis Andrade

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todo tocar é uma canção

 

enquanto acordo os pássaros
a mãe tece a mortalha do anoitecer
agora estamos fora
na linha curvilínea de uma folha que chora

 

que farei com minhas mãos
depois de tocarem aquilo que não se toca?

 

todo tocar é uma canção
- murmulha a mãe entre seus galhos e rascunhos
é isso que se perde, minha filha

 

e sua voz vibra as águas do meu punho

17
Ago17

Como Matar Superbactérias

Talis Andrade

 

Para as Nações Unidas, os micróbios resistentes matam 700 mil pessoas por ano (entre elas, 230 mil recém nascidos), e a Organização Mundial da Saúde já anunciou que três das doenças sexualmente transmissíveis mais comuns – gonorreia, sífilis e clamídia – estão se tornando intratáveis.

 

Estima-se que, em 2050, as mortes cheguem a 10 milhões

 

Shu Lam, um estudante de PhD da Malásia, da Universidade de Melbourne, vem desenvolvendo um método de matar bactérias utilizando pequenas moléculas em forma de estrela, construídas com cadeias de unidades de proteínas chamadas polímeros peptídicos, como uma alternativa inovadora aos antibióticos que já não funcionam.shu lam.jpg

 

Shu Lam trabalha em conjunto com o professor Greg Qiao, da Universidade de Melbourne, Austrália. “Nós descobrimos que, por ser o polímero um alvo preferencial das bactérias, podemos matá-las de várias maneiras”, diz Lam, cercada por uma forte equipe de experts. “Uma das formas é causar danos físicos à bactéria, quebrando a parede celular dela. Isso cria um forte estresse sobre as bactérias, fazendo com que comecem a se matar”.

 

 

 

 

17
Ago17

Mar Becker

Talis Andrade

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quando morrem,

 

as mães deixam um enxame de bocas no mundo: um vulto de milhões de vozes que orbitam e sonham em torno dos corpos das filhas.

 

à noite,
como se cantassem.

 

são bocas que lembram halos de sétimo dia ou fendas em fumaça de incenso.

 

[santo, santo, santo,
rastilho pubiano, um pântano de pernas
de filhas

 

no corredor da missa.]

 

“porque este é meu corpo e este é meu sangue”.

 

durante o inverno as bocas-restos crescem, tomam um princípio de vingança e furam os corpos das filhas com a ponta de suas línguas.

 

entre as pernas.

 

---

(Mar Becker)

Marceli Andresa Becker

17
Ago17

Cilada nazista de Temer para demitir os trabalhadores enfermos

Talis Andrade

 

 

Revisão de benefícios ou caça aos doentes?


Em mais um episódio de perseguição aos trabalhadores e desmonte do sistema previdenciário, governo Temer força retorno à rotina profissional de adoecidos sem planejamento ou programa de reabilitação, o que pode levar ao agravamento do quadro de milhões de afastados

 

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                                                            Ilustração Oguz Gurel

 

 

por Claudia Motta

 

Foi ampliado para 21 de agosto o prazo para que afastados por auxílio-doença entrem em contato para agendar nova perícia junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Uma lista de segurados por incapacidade foi publicada no Diário Oficial da União de 1º de agosto para entrar em contato com o INSS e saber a data da perícia por meio da qual o benefício será reavaliado. São trabalhadores que não puderem ser contatados via Correios. Nesse caso, o empregado deve entrar em contato com a central de atendimento (135) para saber a data agendada para a reavaliação do benefício por incapacidade. O não atendimento à convocação pode levar o auxílio a ser suspenso ou cancelado.

 

Para a perícia, o segurado deve apresentar toda documentação médica que justifique o auxílio-doença: atestados, laudos, receitas e exames. Quem não puder comparecer por estar internado ou enfermo, deverá pedir a uma pessoa de sua confiança que informe, em uma agência do INSS, sobre esse impedimento. Portando documento de identidade do segurado e comprovante do impedimento, será possível solicitar perícia hospitalar ou domiciliar.

 

Ao todo, 530 mil benefícios de auxílio-doença serão revisados, além de mais de 1 milhão de aposentadorias por invalidez. Segundo informações do MDS, até 14 de julho 199.981 perícias haviam sido feitas e 180.268 benefícios haviam sido cortados.

 

Para a médica do trabalho Maria Maeno, fazer a revisão não é um problema em si. “Vejamos uma situação exemplificativa. Um trabalhador é aposentado por invalidez e depois de certo tempo, passa a apresentar melhora da funcionalidade. No programa terapêutico, junto com ele, conclui-se que é possível tentar um retorno ao trabalho. É obrigatório que esse processo de reabilitação profissional inclua a análise da atividade de trabalho que ele desenvolverá, possibilidade de se manter tratamento, e só então, ele deverá fazer um estágio monitorado para que se possa analisar a viabilidade desse retorno. Semelhante processo deve ser desenvolvido nos casos de auxílio-doença de longa duração”, explica. “Nas circunstâncias em que está ocorrendo, a revisão de benefícios só tem um objetivo, que é o de cessá-los em maior número possível para que se diminua os gastos do INSS. Por isso, paga-se R$ 60 por fora do salário do perito para que ele participe do mutirão da revisão de benefícios. A avaliação é feita sob quais critérios? Ninguém sabe”, critica.

 

A categoria bancária figura entre os ramos de atividade com as mais altas taxas de acidentes do trabalho do país. De 2012 a 2016 foram 20.414 afastamentos por acidentes do trabalho conforme dados do Ministério Público do Trabalho. Para agravar a situação, são doentes geralmente acometidos por transtornos mentais, como depressão, estresse pós-traumático, síndrome do pânico.

 

Futuro crítico – A médica desenha um quadro bastante preocupante para os próximos anos. “Como não há equipes de reabilitação profissional, suponho, sem medo de errar, que milhares de pessoas estão tendo benefícios cortados sem que se promova uma real reinserção nos postos de trabalho, de forma que elas consigam se manter trabalhando sem agravar seu quadro clínico”, avalia.

 

“Seria obrigatório que equipes do INSS multidisciplinares acompanhassem e garantissem o retorno ao trabalho gradativamente e que após o retorno efetivo, monitorassem os casos, para verificar se o retorno ao trabalho efetivamente ocorreu. Da maneira como está sendo feito, corre-se o risco dessas pessoas piorarem seu estado clínico ou não conseguirem trabalhar dentro das expectativas, ficando vulneráveis a demissões. Se isso se concretizar, teremos muitos trabalhadores doentes e desempregados. Se perderem a condição de segurado, dificilmente retornarão a ser segurados. Será ruim para eles e para o INSS que arrecadará menos. Já nesse contingente que foi reavaliado me pergunto quantos ainda tinham vínculos empregatícios.”

 

Para a secretária-geral do Sindicato, Neiva Ribeiro, essa é mais uma etapa do desmonte da Previdência e do enfraquecimento do sistema de seguridade brasileiro. “Por isso estamos convocando toda a população a reagir. Proteste, pressione os deputados para que votem contra o desmonte da Previdência e a favor dos direitos dos trabalhadores. As eleições de 2018 estão logo ali e não vamos esquecer quem traiu o povo brasileiro.”

 

17
Ago17

de Christiana Nóvoa

Talis Andrade

 

Christiana Nóvoa3.jpg

 

o golpe

é golpe sim porque é baixo

golpe macho golpe sujo

indireto de direita

 

é golpe que desrespeita

os votos da maior parte

em favor do dito cujo

 

é golpe porque é covarde

é gás no olho que arde

é cassetete na nuca

 

é golpe porque machuca

 


o navio (ou ana c.)

morrer é um estado

mudo

um descansaço

de tudo

 

o peso suspenso

num mundo imenso

e vazio

 

o tempo ancorado

no fundo macio

do espaço

 


a língua

não sou eu que falo

a língua

é a língua

que me lambe

 

lambe as letras

do meu nome

lambe o leite

em minhas tetas

lambe o sangue

da ferida

 

lambe a vida

que é tão pouca

que não cabe em minha boca

 

lambe a carne

lambe a fome

lambe o falo

que me come

lambe o mundo

antes que acabe

 

só a língua

aqui me sabe

quando eu calo

 

 

a lava

se choro tanto

é porque fervo

até doer

 

o nervo

que sente prazer

sente mágoa

 

o pranto e o gozo

são água

do mesmo poço

 

 

 

17
Ago17

Bia Lira

Talis Andrade

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Eu ia pegar o avião,

eu ia invadir tua sala de jantar

onde fica nossa fotografia,

eu ia te abraçar

pra matar saudade

até tu dormir,

eu ia pedir pra tu cuidar

de mim.

eu ia te manchar

com meu batom,

mas como estou longe

de ti,

eu fiz esse verso

que é pra tu

não me esquecer

 

 

 

17
Ago17

Venda do satélite nacional, uma enorme perda para a soberania do Brasil

Talis Andrade

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Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações: Temer vende em setembro outro pedaço da soberania nacional

 

 

do Clube de Engenharia

 

No próximo dia 27 de setembro o país pode retroceder no que seria uma grande conquista na área das telecomunicações e da segurança nacional.

 

Está marcado para esse dia o leilão de 57% da capacidade civil total disponível no Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC), em dois lotes, um com 35% da capacidade e outro com 22%.

 

A importância do primeiro satélite nacional, após a privatização ocorrida no setor, quando todos os satélites nacionais passaram para as mãos de empresas estrangeiras, contrasta com a decisão de ceder parte de seu uso às multinacionais, que já controlam os cerca de 50 outros satélites que prestam serviços no território nacional.

 

O SGDC foi construído pela Telebras com o objetivo de promover comunicações seguras para o sistema de defesa nacional, para as comunicações estratégicas do governo e promover o desenvolvimento socioeconômico do Brasil, buscando a massificação da Banda Larga.

 

Resultado de um acordo bilateral firmado entre a França, a Telebras e a Agência Espacial Brasileira (AEB), o projeto tinha sido pensado com foco no atendimento de governo, educação, saúde pública e serviços de cidadania.

 

Se insere, também, em iniciativas como as Cidades Inteligentes, pontos de Wi-Fi Social e garantir a conectividade em pontos não atendidos por operadoras.

 

Mudança de planos

 

Embora o projeto inicial fosse ter no satélite um caminho seguro para as comunicações governamentais, de defesa – com a interligação de projetos estratégicos como o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (Sisgaaz) e o Sistema de Defesa Aérea (Sisdabra) – e de uso civil para a população, atendendo mais de dois mil municípios com conexão de banda larga, em especial na Região norte do país, pouco antes de seu lançamento, em fevereiro, o governo anunciou o leilão de 80% de sua capacidade.

 

Adicionalmente, não obstante a Telebras ganhar gratuitamente a posição orbital 75 W, e ser dispensada de participar de uma licitação, com a condição de que fossem respeitados os objetivos do Plano Nacional de Banda Larga, as empresas que irão arremat ar a banda Ka do satélite não têm, pelo edital de licitação, obrigações claras de atendimento, metas de universalização ou preço mínimo para vender esta banda larga.

 

A pressão promovida pela sociedade civil organizada desde então, com a participação do Clube de Engenharia surtiu efeito.

 

Um novo edital foi preparado com modificações, incluindo a diminuição da capacidade licitada de 79% para 57%, e a data para o leilão remarcada.

 

Segundo Marcio Patusco, diretor técnico do Clube e chefe da Divisão Técnica de Eletrônica e Tecnologia da Informação, “provavelmente as reações contrárias pesaram, mas a essência da privatização, e não de atendimento social, permanece”.

 

Além dos dois lotes a venda, totalizando 23 Gbps dos 56 Gbps da capacidade total, 11 Gbps serão garantidos à Telebras e outros 12 Gbps não têm destino certo, ainda podendo ser vendidos em leilão.

 

O novo edital trata da cota social apenas ao determinar que os compradores dos lotes deverão, para cumprir o PNBL, garantir 25% da capacidade de cada feixe com a entrega de banda larga.

 

A luta segue

 

Embora o governo tenha recuado parcialmente na venda do satélite nacional, a licitação segue sendo considerada uma enorme perda para o país.

 

“Existe ajuizada uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) no Supremo Tribunal Federal pelo não cumprimento das obrigações formuladas por ocasião da aprovação do projeto dentro das condições do PNBL, como o atendimento social, a não exigência de licitação, o não pagamento do valor relativo à posição orbital, entre outros”, destaca Patusco.

 

Entidades da sociedade civil buscam impedir a venda por vias judiciais. Há representação no Ministério Público, uma denúncia junto ao Tribunal de Contas da União, sob a relatoria do Ministro Benjamin Zymler pautado para julgamento ainda esse mês e uma Ação Popular, que tramita na 13ª Vara Federal. Em face dessas reações, o leilão, que estava marcado para 28 de agosto, foi remarcado.

 

 

 

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